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Não é sem certo regozijo que informo aos navegantes algumas mudanças ocorridas no blog Marxismo Online nas últimas semanas. Regozijo não apenas porque algumas soluções técnicas foram um tanto trabalhosas, mas porque acredito ter aumentado a interatividade e melhorado a experiência do usuário.
O programa em debate atualmente no Partido Comunista do Brasil vai muito além de meramente especificar qual será o caminho a se trilhar para alcançar o socialismo. É muito importante frisar isso. Porém, discutirei aqui apenas essa questão, do caminho para o socialismo, deixando o resto para outro texto.
Em 1995, quando o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) aprovou seu terceiro programa (os anteriores foram o programa da III Internacional e o de 1954), as forças progressistas viviam um momento terrível. É bem verdade que a maioria das ditaduras latino-americanas já havia caído, mas aquele era o ano em que Fernando Henrique Cardoso mandou o exército acabar com a greve dos petroleiros. Pouco antes, o campo socialista, tendo a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) como paradigma, havia ruído. O neoliberalismo imperava. Nesse mesmo ano de 1995, o PCdoB resolveu escrever um programa. Um programa escrito justamente nesse período tenebroso para as esquerdas. Não à toa, o lema do 8º Congresso do PCdoB, realizado em 1992, foi “O socialismo vive” – era preciso afirmá-lo. Em época de antigos grandes partidos comunistas capitulando (como o PCI, na Itália, e, obviamente, o PCUS, na União Soviética), o Partido Comunista do Brasil decidiu reafirmar o socialismo e dizer qual era o socialismo em que acreditava – ou, pelo menos, como seria sua fase inicial.
Após um período um tanto extenso de inatividade, em que o blog Marxismo Online até mesmo deixou de existir, comunico aos internautas que ele está sendo ressucitado. Agora, além dos textos sobre teoria e análise conjuntural, como Os fundamentos do marxismo segundo Lênin (veja também as partes II e III) e O capitalismo é por nossa conta, escreverei também sobre história, especialmente história do Brasil.
A crise atual do sistema capitalista mundial, em essência, não difere das crises anteriores. A grande mídia, controlada pela classe dominante – a burguesia – chama-a de “crise financeira”, mas, sem meias palavras, é simplesmente uma crise de superprodução, categoria já tão bem estudada por Marx e outros pensadores.
As próprias revoluções burguesas ocorridas na Europa nos séculos XVIII e XIX demonstraram claramente qual era a “força motriz de todo o desenvolvimento”: a luta de classes. Justamente então, quando a burguesia parecia finalmente vitoriosa, ficou claro que o capitalismo representava não apenas a liberdade da burguesia, mas ao mesmo tempo “um novo sistema de opressão e exploração dos trabalhadores.”
Após a verificação das bases materiais da existência humana, ou, conforme diz Lênin, “Depois de ter verificado que o regime econômico constitui a base sobre a qual se ergue a superestrutura política”, Karl Marx se dedicou igualmente ao estudo desse mesmo regime econômico, mais propriamente, do regime econômico de sua época, o capitalismo.
Em 1913, Lênin escreveu um artigo intitulado As Três Fontes e as Três Partes Consitutivas do Marxismo. Trata-se de leitura fundamental para quem queira iniciar o estudo do marxismo, pois demonstra o que vem a ser a doutrina de Marx, quais as suas bases, e qual o seu sentido histórico.
Há muitas formas de se procurar a compreensão da sociedade, e uma delas é o marxismo. Porém, simplesmente dizer “há muitas formas” não significa dizer que todas estão corretas. Pretendo neste blog expor a teoria marxista enriquecida por Lênin e outros teóricos, e usá-la para compreender a nossa realidade. Sei que há críticas a esta visão de mundo, mas procurarei mostrar como a teoria marxista é a mais adequada para a compreensão social – mantendo o diálogo, é claro, mas sem abdicar de minhas convicções.

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