A ditadura militar foi um dos períodos mais atrozes da vida social e política brasileira. Milhares de brasileiros foram presos por atentar contra a “segurança nacional” dos poderosos, por ser contra uma ordem ditatorial e a favor das liberdades democráticas. Milhares também foram torturados, e os mortos e desaparecidos se contam às centenas. Até hoje esse período está sob o anátema dos que praticaram e apoiaram tais atrocidades, a despeito das mudanças ocorridas na sociedade brasileira. Com o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), ressurge com força o lema do direito à memória e à verdade. Essa é minha pequena contribuição para que não esqueçamos esse período cruel da história brasileira.
Em uma semana, um artigo e uma notícia me chamaram a atenção. O artigo, sem grandes novidades, é um compêndio de citações da mídia golpista – a mesma mídia golpista que vemos por aí – saudando entusiasticamente o golpe militar de 1º de abril de 1964. A notícia, embora não seja exatamente uma novidade, é de extrema importância, pois documenta aquilo que já sabemos: os Estados Unidos da América tentam constranger o governo brasileiro através da mídia empresarial. Como faz questão de lembrar o sociólogo Emir Sader, o imperialismo é a fase atual do capitalismo.
O Conselho de Segurança Nacional foi criado num ambiente de profundo anticomunismo e contra qualquer violação à ordem social. Após um conturbado período entre o fim do Estado Novo e o golpe militar de 1964, em que um modelo de desenvolvimento soberano e um modelo de desenvolvimento associado ao capital estrangeiro disputavam os rumos do Brasil, tal Conselho se reúne para decidir algo de sumo interesse americano: a posição do Brasil em relação à expulsão de Cuba da OEA e o rompimento das relações diplomáticas com a ilha caribenha – ou seja, viria a selar a opção pelo desenvolvimento dependente das potências imperialistas.
A Guerrilha do Araguaia
saiu do porão do esquecimento, onde ficou durante tantos anos submetida
a um controle por quem temia que ela – como tantos outros
acontecimentos que marcam negativamente a imagem das forças armadas –
chegasse ao conhecimento das gerações futuras. Apenas os que tinham
coragem e não temiam a repressão divulgavam o que por duas décadas
aconteceu neste país e na América Latina de uma maneira geral.

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