Veja o que o Marxismo Online já publicou sobre o Partido Comunista do Brasil (PCdoB)
A Guerrilha do Araguaia
saiu do porão do esquecimento, onde ficou durante tantos anos submetida
a um controle por quem temia que ela – como tantos outros
acontecimentos que marcam negativamente a imagem das forças armadas –
chegasse ao conhecimento das gerações futuras. Apenas os que tinham
coragem e não temiam a repressão divulgavam o que por duas décadas
aconteceu neste país e na América Latina de uma maneira geral.
Agora que o debate do novo programa socialista do PCdoB já está quase chegando ao fim (no início de novembro ocorrerá o congresso, mas as conferências estaduais já ocorreram todas), convém falar da minha contribuição ao debate. Não por me achar demasiado importante, mas como uma forma de preservar a memória do 12º Congresso do Partido Comunista do Brasil e das conferências no Distrito Federal. O texto abaixo é, aproximadamente, minha intervenção na conferência do PCdoB-DF, reconstruída a partir das anotações que usei. Na conferência de Brasília (basicamente a região do Plano Piloto), falei também da necessidade de o Partido estar atento aos quadros que cotidianamente pensam o Estado brasileiro, notadamente os servidores públicos militantes do PCdoB. Além disso, contribuí também com dois textos à Tribuna de Debates, onde ainda está acontecendo um debate muito rico. São eles: Considerações acerca da questão constituinte, e Reforma e revolução. Ambos os textos serão publicados na edição especial do jornal A Classe Operária. Vamos à fala:
Em 1995, quando o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) aprovou seu terceiro programa (os anteriores foram o programa da III Internacional e o de 1954), as forças progressistas viviam um momento terrível. É bem verdade que a maioria das ditaduras latino-americanas já havia caído, mas aquele era o ano em que Fernando Henrique Cardoso mandou o exército acabar com a greve dos petroleiros. Pouco antes, o campo socialista, tendo a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) como paradigma, havia ruído. O neoliberalismo imperava. Nesse mesmo ano de 1995, o PCdoB resolveu escrever um programa. Um programa escrito justamente nesse período tenebroso para as esquerdas. Não à toa, o lema do 8º Congresso do PCdoB, realizado em 1992, foi “O socialismo vive” – era preciso afirmá-lo. Em época de antigos grandes partidos comunistas capitulando (como o PCI, na Itália, e, obviamente, o PCUS, na União Soviética), o Partido Comunista do Brasil decidiu reafirmar o socialismo e dizer qual era o socialismo em que acreditava – ou, pelo menos, como seria sua fase inicial.

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