Arquivado no Caritas in Veritate

Marxismo Online

Marxismo e história na internet

Correio Progressista Falha de São Pedro Marxpédia Notícias e Análises Contato

Capitalismo e mercado: o valor das mercadorias

Publicado em 31 de Outubro de 2009
Categoria: teoria marxista
Correio Progressista

Para entender como a força de trabalho diferencia o capitalismo dos demais modos de produção, é preciso explicar o que é o valor de troca (ou simplesmente “valor”) e qual a sua composição.

Para a economia política burguesa, a compreensão da formação dos preços é fundamental. Para ela, é através deles que um sistema econômico pode “apresentar soluções eficientes” para a “tríade dos problemas fundamentais para qualquer sociedade”, qual seja, “o que e quanto, como e para quem produzir.”11ROSSETTI, J. P. Introdução à economia. São Paulo: Atlas, 1978. p. 249.

Preço e valor, porém, são coisas diferentes. As variações momentâneas de preço ocorrem justamente em torno do valor. Tais oscilações são causadas, principalmente, por variações na oferta e na procura.

O marxismo, entretanto, se recusa a acreditar na oferta e na procura como determinantes do valor. Somente por absoluto idealismo se pode acreditar em algo assim, pois não haveria nada a determinar o valor em torno do qual os preços oscilam – afinal, na hipótese de se equilibrarem a oferta e a procura, nada mais haveria a determinar preços e valores.

Pode-se, isto sim, dizer que no longo prazo valor e preço praticamente se equivalem, pois as variações ascendentes deste são minimizadas pelas descendentes e vice-versa. O preço, descontadas as demais influências (como o monopólio), acaba sendo a expressão monetária do valor. Resta, contudo, saber o que determina o valor de uma mercadoria.

Na produção mercantil em seu estágio mais elevado, não há nenhuma qualidade natural comum a todas as mercadorias. As mercadorias são vendidas porque se precisa vender e compradas porque se precisa comprar, mas compra e venda são operações independentes, um produto não é trocado diretamente pelo outro – as qualidades naturais das mercadorias (seus valores de uso) não se complementam.

Destarte, não havendo qualidades naturais comuns ou complementares a todas as mercadorias, deve-se procurar alguma substância social22Este é o termo empregado por Marx. MARX, K. Salário, preço e lucro. São Paulo: Centauro, [s/d]. p. 39.a lhe determinar o valor. No modo de produção de que tratamos aqui, o capitalista, só há uma substância social comum a todas as mercadorias: o trabalho. Conseqüentemente, o valor de uma mercadoria é determinado pelo total de trabalho nela fixado no processo de sua produção.

Todavia, é preciso lembrar que a produção de mercadorias é uma produção social. Assim sendo, trata-se de trabalho social – aquele que não serve diretamente ao produtor – e de trabalho socialmente necessário. Portanto, não há valor de uma unidade específica de mercadoria, mas apenas valor social de suas unidades. É por isto, por exemplo, que o ouro extraído pela Rio Paracatu Mineração (RPM), na mina com menor teor de minério em exploração no mundo33O fato é amplamente conhecido. Para citar uma fonte, pode-se recorrer à revista Minérios & Minerales, edição 301, disponível em http://www.minerios.com.br/index.php?id_materia=573.tem o mesmo valor do ouro extraído de qualquer outra mina. O que importa não é quanto trabalho um determinado produtor fixou em tal ou qual unidade de um produto, mas o trabalho socialmente necessário para a produção de determinada mercadoria. Isto leva a que o valor seja determinado pela menor quantidade de trabalho socialmente necessária para a produção da mercadoria, e leva à ruína os produtores incapazes de avançar tecnologicamente.

É por tudo isso que o marxismo praticamente não se interessa pelos preços. Alguém pode até dizer que Marx falhou em explicar a formação deles. Mas esta é uma afirmação descabida, pois ele não tinha interesse nenhum nos preços. Somente o valor é capaz de explicar o modo de produção capitalista.

Notas:
1ROSSETTI, J. P. Introdução à economia. São Paulo: Atlas, 1978. p. 249.
2Este é o termo empregado por Marx. MARX, K. Salário, preço e lucro. São Paulo: Centauro, [s/d]. p. 39.
3O fato é amplamente conhecido. Para citar uma fonte, pode-se recorrer à revista Minérios & Minerales, edição 301, disponível em http://www.minerios.com.br/index.php?id_materia=573.
Autor: Leandro Arndt
Temas: capitalismo, mercado, mercadoria, valor
Séries: Capitalismo e mercado
Série Capitalismo e mercado
6. Capitalismo e mercado: os limites da reprodução ampliada - superprodução × subconsumo (final)
5. Capitalismo e mercado: os limites da reprodução ampliada - superprodução × subconsumo
4. Capitalismo e mercado: a reprodução ampliada do capital
3. Capitalismo e mercado: as partes que compõem o valor
2. Capitalismo e mercado: o valor das mercadorias
1. Capitalismo e mercado: o que é capitalismo?

Comentários

Nenhum comentário enviado até agora

Deixe aqui seu comentário

Creative Commons by-nc-nd 2.5 BR
Marxismo Online, por Leandro Arndt, é licenciado segundo uma licença Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil.
Permissões além do escopo dessa licença podem ser obtidas por e-mail.

Marxismo Online usa Django.