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Os fundamentos do marxismo segundo Lênin (final)

Publicado em 14 de Novembro de 2007
Categoria: teoria marxista
Correio Progressista

O socialismo

As próprias revoluções burguesas ocorridas na Europa nos séculos XVIII e XIX demonstraram claramente qual era a “força motriz de todo o desenvolvimento”: a luta de classes. Justamente então, quando a burguesia parecia finalmente vitoriosa, ficou claro que o capitalismo representava não apenas a liberdade da burguesia, mas ao mesmo tempo “um novo sistema de opressão e exploração dos trabalhadores.”

Desenhava-se então um novo projeto social, o socialismo. Diversas doutrinas pululavam pela Europa criticando, condenando e amaldiçoando o capitalismo, sonhando com sua destruição. Entretanto, as fantasias que elas representavam queriam apenas “convencer os ricos da imoralidade da exploração.” Assim sendo, não indicavam a real saída para as contradições do capitalismo. Muito longe do materialismo e do conhecimento do funcionamento do modo de produção capitalista, não conseguiam explicar o mesmo e descobrir as leis de seu desenvolvimento, muito menos conseguiam encontrar a “força social capaz de se tornar a criadora da nova sociedade.”

Vem do materialismo o conceito capaz de explicar qual seria essa força social, ou seja, é a própria forma como se reproduz a existência material e social do homem que dá a explicação de como superar as formas já atrasadas de produção. Como diz o historiador brasileiro Nelson Werneck Sodré, “desde que enfrentamos o problema da sociedade de classes, isto é, a sociedade que ultrapassou a etapa da comunidade primitiva, onde se produz apenas para o consumo e se consome tudo o que se produz, trata-se de conhecer, antes de tudo, quem produz e quem se apropria da produção. Isto vai ajudar a caracterização das classes, a dominante e a dominada.”11SODRÉ, N. W. Capitalismo e Revolução Burguesa no Brasil. Rio de Janeiro: Graphia, 1997. p. 7. Sobre o surgimento da sociedade de classes, ver, de Friederich Engels, A origem da família, da propriedade privada e do Estado.

Como diz Karl Marx no terceiro tomo de O Capital, “a relação entre o trabalho assalariado e o capital determina o caráter total do modo de produção.”22MARX, K. El Capital: Crítica de la economía política. México: Fondo de Cultura Económica, 2000. Tomo III, p. 812. Prosseguindo com Paul Sweezy, vemos que a relação entre o proletariado e a burguesia “deve constituir o centro da investigação; o poder de abstração deve ser empregado para isolá-la […] a relação entre capital e trabalho em si mesma deve ser reduzida à sua forma ou formas mais significativas. […] Marx, como bem se sabe, selecionou as formas de relação entre o capital e o trabalho que surgem na esfera da produção industrial como as mais significativas da moderna sociedade capitalista.”33SWEEZY, P. Teoria do Desenvolvimento Capitalista: Princípios de Economia Política Marxista. Rio de Janeiro: Zahar, 1985. p. 27. Voltando ao texto de Lênin, este diz que “nenhuma vitória da liberdade política sobre a classe feudal foi alcançada sem uma resistência desesperada. Nenhum país capitalista se formou sobre uma base mais ou menos livre, mais ou menos democrática, sem uma luta de morte entre as diversas classes da sociedade capitalista.”

Diz Lênin que os homens sempre serão vítimas do engano próprio e dos outros enquanto não aprenderem a descobrir por trás de cada manifestação social “os interesses de uma ou de outra classe. Os partidários de reformas e melhoramentos ver-se-ão sempre enganados pelos defensores do velho, enquanto não compreenderem que toda a instituição velha, por mais bárbara e apodrecida que pareça, se mantém pela força de umas ou de outras classes dominantes. E para vencer a resistência dessas classes só há um meio: encontrar na própria sociedade que nos rodeia, educar e organizar para a luta, os elementos que possam – e, pela sua situação social, devam – formar a força capaz de varrer o velho e criar o novo.”44Novamente nos deparamos com os problemas do economicismo, desta vez criticado diretamente por Lênin. Já falei do economicismo nas partes anteriores deste texto (I e II), especialmente na nota 2 da primeira parte.

“Só o materialismo filosófico de Marx indicou ao proletariado a saída da escravidão espiritual em que vegetam até hoje as classes oprimidas. Só a teoria econômica de Marx explicou a situação real do proletariado no conjunto do regime capitalista.” Poderia acrescentar: só o marxismo-leninismo ofereceu à sociedade a saída das atuais contradições: a revolução proletária e sua teoria revolucionária, o socialismo científico.

Notas:
1SODRÉ, N. W. Capitalismo e Revolução Burguesa no Brasil. Rio de Janeiro: Graphia, 1997. p. 7. Sobre o surgimento da sociedade de classes, ver, de Friederich Engels, A origem da família, da propriedade privada e do Estado.
2MARX, K. El Capital: Crítica de la economía política. México: Fondo de Cultura Económica, 2000. Tomo III, p. 812.
3SWEEZY, P. Teoria do Desenvolvimento Capitalista: Princípios de Economia Política Marxista. Rio de Janeiro: Zahar, 1985. p. 27.
4Novamente nos deparamos com os problemas do economicismo, desta vez criticado diretamente por Lênin. Já falei do economicismo nas partes anteriores deste texto (I e II), especialmente na nota 2 da primeira parte.
Autor: Leandro Arndt
Temas: burguesia, capitalismo, luta de classes, marxismo, proletariado, relações sociais, revolução burguesa, revolução socialista, socialismo, Vladímir Ílitch Lênin
Séries: Fundamentos do marxismo
Série Fundamentos do marxismo
3. Os fundamentos do marxismo segundo Lênin (final)
2. Os fundamentos do marxismo segundo Lênin (parte II)
1. Os fundamentos do marxismo segundo Lênin (parte I)

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