Onde Deus está?

“Onde Deus está?” Esta é a pergunta que muitos se fazem nos momentos de maior sofrimento. Até mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo se sentiu desamparado pelo Pai e perguntou na cruz: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”. Essa pergunta, esse sentimento de abandono, é totalmente humana. E o Cristo, que é totalmente humano e totalmente divino, também se perguntou isso em seu momento de maior dor e angústia, à beira de sua morte, à beira de expirar e deixar o Espírito de Deus sair de seu corpo.

Não é um sentimento fácil. Quantas vezes estamos em situações difíceis, diante da morte de uma pessoa querida, diante de um desastre, da morte de um inocente, ou de uma doença que nos assola e perguntamos: “Onde Deus está?”

Deus está onde menos esperamos. A começar por nós mesmos. Não somos apenas criação divina abandonada pelo Criador. Ao contrário, Ele está permanentemente em nós, e só n’Ele existimos. O livro da Gênese nos diz: “E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.” (Gn 2:7) Ou seja, a nossa própria vida é divina, e o Espírito, o Fôlego Divino em nós está desde que fomos formados, e somente de nós se separa no momento de nossa morte, para nos encontrar novamente no momento da ressurreição para a vida eterna. Amém.

O Senhor Deus está conosco desde antes do nosso nascimento. Devemos lembrar as palavras do Senhor ao profeta Jeremias: “Antes que eu te formasse no ventre, eu te conheci; e, antes que saísses da madre, te santifiquei e às nações te dei por profeta.” (Jr 1:5)

Deus esteve com Jeremias também em suas aflições:

6 Então disse eu: Ah! Senhor JEOVÁ! Eis que não sei falar; porque sou uma criança.
7 Mas o SENHOR me disse: Não digas: Eu sou uma criança; porque, aonde quer que eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar, dirás.
8 Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o SENHOR.
9 E estendeu o SENHOR a mão, tocou-me na boca e disse-me o SENHOR: Eis que ponho as palavras na tua boca.
10 Olha, ponho-te neste dia sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares, e para derribares, e para destruíres, e para arruinares; e também para edificares e para plantares.
11 Ainda veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Que é que vês? Vejo uma vara de amendoeira.
12 E disse-me o SENHOR: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir.
13 E veio a mim a palavra do SENHOR, segunda vez, dizendo: Que é que vês? E eu disse: Vejo uma panela a ferver, cuja face está para a banda do Norte.
14 E disse-me o SENHOR: Do norte se descobrirá o mal sobre todos os habitantes da terra.
15 Porque eis que eu convoco todas as famílias dos reinos do Norte, diz o SENHOR; e virão, e cada um porá o seu trono à entrada das portas de Jerusalém, e contra todos os muros em redor, e contra todas as cidades de Judá.
16 E eu pronunciarei contra eles os meus juízos, por causa de toda a sua malícia; pois me deixaram a mim, e queimaram incenso a deuses estranhos, e se encurvaram diante das obras das suas mãos.
17 Tu, pois, cinge os teus lombos e levanta-te, e dizes-lhe tudo quanto eu te mandar; não desanimes diante deles, porque eu farei com que não temas na sua presença.
18 Porque eis que te ponho hoje por cidade forte, e por coluna de ferro, e por muros de bronze, contra toda a terra, e contra todos os reis de Judá, e contra os seus príncipes e contra os seus sacerdotes, e contra o povo da terra.
19 E pelejarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti; porque eu sou contigo, diz o SENHOR, para te livrar.

(Jr 1:6-19)

Deus está conosco em todos os momentos, e especialmente nos mais difíceis. Quando temos que ter coragem de enfrentar os homens e as coisas criadas por ele, quando nos sentimos fracos diante dos desafios e das dificuldades, quando todos os homens e as coisas que eles criaram parecem ir contra nós, o Senhor Deus é conosco.

E não é à toa que Deus fala a Jeremias: “eu sou contigo” (versículos 8 e 19). Não se trata de erro de tradução, nem de transcrição. Ao contrário, Deus não está: Deus é. E mais, Deus não é algo, Deus simplesmente é. Assim disse ele a Moisés quando se revelou na sarça ardente:

11 Então, Moisés disse a Deus: Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?
12 E Deus disse: Certamente eu serei contigo; e isto te será por sinal de que eu te enviei: quando houveres tirado este povo do Egito, servireis a Deus neste monte.
13 Então disse Moisés a Deus: Eis que quando vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi?
14 E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós.

(Ex 3:11-14)

Deus simplesmente é. Ele é o princípio e o fim. É por Ele que tudo foi criado. É por sua imensa e eterna bondade, e apenas por isso, que nós existimos (Is 44:6, Jo 1:1-5, Ap 1:8). E Deus, o Senhor, não nos abandona, pois somos seus filhos. Assim ele livrou os filhos de Israel da escravidão no Egito. Assim ele nos livra de toda escravidão, até mesmo do pecado: “Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor. […] Porque o pecado não terá mais domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.” (Rm 6:11 e 14)

Somos, na verdade, com Ele, e nossa própria existência é existência n’Ele. Deus nos deu vida com o sopro de seu Espírito. Nossa vida cessa com nosso expirar. Mas, Deus nos dá a salvação e estamos mortos para o pecado, e vivos para Deus, nosso Senhor. “O nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus” (I Co 6:19).

Mas, é verdade, sofremos, nos sentimos desamparados por Deus, nosso Senhor e Criador, que habita em nós. Até mesmo Jesus Cristo, o Filho de Deus, se sentiu desamparado. Fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, e Cristo é totalmente divino, mas também totalmente humano. Deus, na figura do Filho, sofreu tudo o que nós sofremos, foi tentado duramente, mas resistiu e venceu o pecado, nos dando a vida eterna.

Deus nos dá finalmente a verdadeira plenitude. O mundo e a vida que Ele nos promete é a plena abundância.

21
1 E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.
2 E eu, João, vi a Santa Cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para seu marido.
3 E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus.
4 E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas.
5 E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve, porque estas palavras são verdadeiras e fiéis. E disse-me mais: Está cumprido. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida.. Porque quem vencer herdará todas as coisas, e ele será meu filho.”
[...]
22
1 E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro.
2 No meio da sua praça e de uma e da outra banda do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a saúde das nações.
3 E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão.
4 E verão o seu rosto, e na sua testa estará o seu nome.
5 E ali não haverá mais noite e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os alumia, e reinarão para todo o sempre.

(Ap 21:1-5 e 22:1-5)

Porém, não precisamos esperar a ressurreição para a vida eterna para estarmos com Deus. Deus é conosco e habita em nós. Deus é a nossa vida. Somos templo d’Ele. E, da mesma maneira como Deus é com Jeremias e com Moisés, é com todo o seu povo, com todos os seus filhos. Deus nos envia anjos para nos guardar e nos livrar do mal (Sl 34:7). Podem cair mil à nossa esquerda e dez mil à nossa direita, mas não seremos atingidos (Sl 91:7). Podemos sofrer grandes flagelos, mas Deus nos dá o seu Espírito para nos consolar (Jo 14:15-16). Deus nos dá tudo de que precisamos (Mt 6:25-34). Deus não deixa nosso fardo ser maior do que podemos carregar (Mt 11:28-30). Deus olha por nós e é conosco. De eternidade a eternidade. Amém.

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O que busca o cristão neste mundo?

Mas os que querem ser ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruínas. Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.

(I Tm 6:9-10)

O que deve buscar o cristão neste mundo? Ou, talvez melhor, que mundo deve buscar o cristão que ainda não se uniu plenamente à glória de Deus? Escrevo sobre a ação política do homem de fé.

É comum em nosso tempo ouvir pastores falando apenas das qualidades morais do cristão. Falam muito em Deus, mas pouco do homem que Ele ama. Outras vezes – como na recente campanha eleitoral -, vemos “pastores” ditando de maneira absoluta qual deve ser o voto de seu rebanho. “Pastores” esses que muitas vezes chegam a atribuir seu sucesso material a sua própria fé e “obediência ao Senhor”, e aos “princípios que o mantém firme em suas convicções como servo de Cristo”. Quem quiser saber, saberá de quem falo, mas de antemão já sabe que somente a graça de Deus pode levar ao sucesso um cristão, por mais esforçado que seja, e que aquele que deseja obter tudo por mérito próprio não entrega sua vida ao Senhor nosso Deus.

Agora, porque deveria eu falar da ação política do cristão? Os cristãos já não estão salvos pela graça divina, sem nada precisar fazer neste mundo? Não. Por mais que eu acredite que Deus salva exclusivamente pela sua própria bondade, independente da miríade dos nossos pecados, não acredito que o cristão não precise fazer nada neste mundo para ser salvo. Afinal, fomos “comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” (I Co 6:20) Ou seja, somos salvos por Deus em nossa fé, mas devemos agir como agrada a Ele, e não a nós mesmos, que não somos mais donos de nossas vidas. Como nos diz Tiago: “a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma” (Tg 2:17) E como devem ser nossas obras políticas, nossas obras na relação com outros homens e mulheres em sociedade?

Não podemos esquecer nossos irmãos. Quando o Cristo nasceu, o coro dos exércitos celestiais cantava: “Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens!” (Lc 2:14) Aí já se vê a preocupação de Deus com a humanidade. Tal preocupação fica mais visível ainda no evangelho segundo João, quando diz:

16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
17 Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
18 Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
19 E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque suas obras eram más.
20 Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz e não vem para a luz para que as suas obras não sejam reprovadas.
21 Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.

(Jo 3:16-21)

Vê se aí que da fé provém as obras, pois as obras más nos afastam de Deus.

Mas, mais concretamente, que obras boas devemos fazer? Construir templos em honra ao Altíssimo, ou doar grandes somas às igrejas dos homens? Não: “o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso? Porventura não fez a minha mão todas estas coisas?” (At 7:48-50) Se procuramos nas construções humanas a morada de Deus, procuramos no lugar errado.

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo.” Portanto, não devemos procurar em construções a morada do Senhor, mas nos homens e mulheres com quem nos encontramos todos os dias – inclusive nós mesmos. Se alguém quer edificar um lar para o Senhor nosso Deus, deve edificar o corpo e a alma dos homens, engrandecendo aquele a quem Ele confiou toda a sua criação:

27 E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea o criou.
28 E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.
29 E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda erva que dá semente e que está sobre a face de toda a terra e toda árvore em que há fruto de árvore que dá semente; ser-vos-ão para mantimento.

(Gn 1:27-29)

Deus, portanto, deu ao homem e à mulher o domínio sobre todas as coisas, sobre tudo o que Ele criou neste mundo. Assim, devemos cuidar da criação que Ele nos deu. E nós também somos criação do Altíssimo.

Somos, na verdade, muito especiais na criação. Tão especiais que, como no versículo já citado, Deus nos deu a vida de seu Filho para que não pereçamos, mas vivamos eternamente n’Ele. Como nos diz o próprio Cristo: “Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, porque o sou. Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.” (Jo 13:13-16) Também na parábola do bom samaritano aparece o serviço como exemplo de vida e mesmo como ordenamento do Senhor:

25 E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
26 E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês?
27 E, respondendo ele, disse: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao próximo como a ti mesmo.
28 E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso e viverás.
29 Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?
30 E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.
31 E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.
32 E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar e vendo-o, passou de largo.
33 Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão.
34 E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele;
35 E, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele, e tudo o que de mais gastares eu to pagarei, quando voltar.
36 Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?
37 E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois Jesus: Vai e faze da mesma maneira.

(Lc 10:25-37)

Portanto, o mundo que o cristão deve buscar é o mundo em que cada um tenha o que lhe é necessário, e em que um não seja superior ao outro – pois todos são servos de Deus e de suas criaturas, não havendo distinção senão entre nós e o Altíssimo. Nenhum homem ou mulher deve ser superior aos outros, e a autoridade deve ser a primeira a servir ao povo.

Porém, há muitos obstáculos em nosso caminho. Muitas vezes queremos ter mais poder ou mais riquezas que os outros – e geralmente esse poder é aquele leva às riquezas. Porém, “Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque ou há de aborrecer a um e amar ao outro ou há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza.” (Lc 16:13)

Temos muitos exemplos de como o dinheiro desviou as pessoas do caminho de Deus. Podemos citar dois exemplos bíblicos. Um deles, o do jovem rico:

18 E perguntou-lhe um certo príncipe, dizendo: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?
19 Jesus lhe disse: Por que me chamas de bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus.
20 Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe.
21 E disse ele: Todas essas coisas tenho observado desde a minha mocidade.
22 E, quando Jesus ouviu isso, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa: vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.
23 Mas, ouvindo ele isso, ficou muito triste, porque era muito rico.
24 E, vendo Jesus que ele ficara muito triste, disse: Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os que têm riquezas!
25 Porque é mais fácil entrar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus.

(Lc 18:18-25)

Outro exemplo é o de Ananias e Safira:

21
32
E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém fazia que coisa alguma do que possuía era própria, mas todas as coisas lhes eram comuns.
33 E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça.
34 Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido e o depositavam aos pés dos apóstolos.
35 E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha.
36 Então José, cognominado, pelos apóstolos, Barnabé (que, traduzido, é Filho da Consolação), levita, natural de Chipre,
37 possuindo uma herdade, vendeu-a, e trouxe o preço, e o depositou aos pés dos apóstolos.
22
1Mas um certo varão chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade
2 e reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e, levando uma parte, a depositou aos pés dos apóstolos.
3 Disse, então, Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade?
4 Guardando-a, não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus.
5 E Ananias, ouvindo estas palavras, caiu e expirou. E um grande temor veio sobre todos os que isto ouviram.
6 E, levantando-se os jovens, cobriram o morto e, transportando-o para fora, o sepultaram.
7 E, passando um espaço quase de três horas, entrou também sua mulher, não sabendo o que havia acontecido.
8 E disse-lhe Pedro: Dize-me, vendestes por tanto aquela herdade? E ela disse: Sim, por tanto.
9 Então, Pedro lhe disse: Por que é que entre vós vos concertastes para tentar o Espírito do Senhor? Eis aí à porta os pés dos que sepultaram o teu marido, e também te levarão a ti.
10 E logo caiu aos seus pés e expirou. E, entrando os jovens, acharam-na morta e a sepultaram junto de seu marido.

(At 4:32-5:10)

O que fizeram essas pessoas? Amaram a outro deus, que não o Senhor. Amaram suas riquezas, ou a aparência de generosidade. Diziam-se tementes a Deus, o Altíssimo, mas adoravam os ídolos mais baixos.

Não se pode amar a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo. Não se pode ter dois senhores. Uma pessoa rica até pode entrar no Reino de Deus, mas terá que estar disposta a deixar para trás tudo o que tem. Não é o que vemos, porém, com maior freqüência.

A história do Brasil é cheia de exemplos de Ananias, Safiras, ou jovens ricos. Em 1964, tivemos as marchas da família com “deus” e pela propriedade. Preciso dizer o absurdo disso? Preciso, pois elas levaram a um dos mais tenebrosos tempos de nossa história, a ditadura militar, em que muitos filhos de Deus foram barbaramente torturados ou mortos, tiveram que forçosamente exilar-se ou tornar-se clandestinos em sua própria terra. Essas pessoas perseguidas, que tantas boas obras fizeram quando era mais difícil fazê-las, merecem nossa admiração. Outros, porém, ainda hoje, em nome de um deus que não é o Criador, taxam-nos das piores coisas.

Hoje em dia, quantas vezes vemos na internet, no rádio, na televisão, pessoas falando em nome de “deus”, mas pregando uma doutrina de ódio e rancor? Quantas vezes vemos pessoas dizendo, em nome de “deus”, que devemos apoiar doutrinas de dominação e discriminação?

Não podemos discriminar absolutamente ninguém, se somos cristãos, pois todos são criaturas amadas de Deus. Não podemos pregar a dominação, nem o ódio, pois Deus ama e serve a todos. Não podemos estar com os que pregam que uns devem ter tudo, e os outros, nada, pois Deus nos deu a todos a sua criação, e ama em especial os mais necessitados. O meu Deus Encarnado conviveu com os pobres, as prostitutas e as adúlteras. O meu Deus ama essas pessoas, e devo lutar para que ninguém seja mais do que ninguém, pois só Deus, o Altíssimo, é superior. “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” (Gl 3:28)

Quem prega, portanto, a discriminação e a miséria não está com Deus, mas contra Ele. Quem sustenta que uns devem ter tudo, e outros não podem ter nada, este não está com Deus, mas contra Ele, contra seu amor e contra seu serviço. Quem diz que aquele que luta para que todos usufruam da criação divina está com o diabo, na verdade é ele – aquele que diz – que está com o diabo, e não o que luta pelo bem de toda a criação. Devo, por fim, encerrar com Tiago:

1 Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas.
2 Porque, se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de ouro no dedo, com vestes preciosas, e entrar também algum pobre com sórdida vestimenta,
3 e atentardes para o que traz a veste preciosa e lhes disserdes: Assenta-te tu aqui, num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu, fica aí em pé ou assenta-te abaixo do meu estrado,
4 porventura não fizestes distinção dentro de vós mesmos e não vos fizestes juízes de maus pensamentos?
5 Ouvi, meus amados irmãos. Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?
6 Mas vós desonrastes o pobre. Por ventura não vos oprimem os ricos e não vos arrastam aos tribunais?
7 Porventura, não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi invocado?
8 Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis.
9 Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado e sois redargüidos pela lei como transgressores.
10 Porque qualquer que guardar toda a lei e tropeçar em um só ponto tornou-se culpado de todos.
11 Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás. Se tu, pois, não cometeres adultério, mas matares, estás feito transgressor da lei.
12 Assim falai e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade.
13 Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa sobre o juízo.
14 Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé e não tiver as obras? Porventura, a fé pode salvá-lo?
15 E, se o irmão ou a irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano,
16 e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e lhes não derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?
17 Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.
18 Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.
19 Tu crês que há um só Deus? Fazes bem; também os demônios o crêem e estremecem.
20 Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?
21 Porventura Abraão, nosso pai, não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque?
22 Bem vês que a fé cooperou com as suas obras e que, pelas obras, a fé foi aperfeiçoada,
23 e cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus.
24 Vedes, então, que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé.
25 E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pelas obras, quando recolheu os emissários e os despediu por outro caminho?
26 Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.

(Tg 2)
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O dom da vida

É com dor que escrevo aqui. Com a mais profunda dor que jamais experimentei. Vivia a experiência de me tornar pai de meu primeiro filho. Porém, quando sua idade gestacional completaria 8 semanas, veio a notícia: seu coração parara de bater quase duas semanas antes. Era, como disse o obstetra, uma gravidez ainda mais que planejada: buscada com todos os recursos que tínhamos à disposição para que fosse a gestação mais saudável que poderia haver. Mas não aconteceu como queríamos.

A vida é um dom de Deus. É o dom primeiro de Deus e o primeiro milagre. Deus fez o homem do pó e soprou em suas narinas o fôlego da vida. A partir de então somos a espécie à qual Ele confiou sua criação, e na qual Ele tinha grandes esperanças. Fomos feitos a Sua imagem e semelhança, do seu amor, e com esse amor deveríamos governar a Terra que Ele nos deu. Nessa Terra Ele plantou um jardim, e, no meio desse jardim, uma árvore: a árvore da vida. (Gn 1-2)

O homem, no entanto, não honrou esse amor que Deus lhe deu. Foi punido. Deus o expulsou do paraíso e o condenou à morte. Deus passeava em seu jardim, e o homem de lá foi expulso para não mais voltar. O pecado do homem o afastou do Deus da vida e da árvore da vida que Deus criou. O homem foi condenado a tornar-se o pó de que fora criado, e condenado a viver para sempre longe do jardim habitado por Deus, onde Ele plantara árvore da vida. Esta é a nossa sina. (Gn 3)

E por que até os inocentes sofrem esse mesmo destino? Que pecado poderia ter cometido um pequeno ser que, para a ciência, nem feto poderia ser chamado, era apenas um embrião ainda em formação? O pecado que cometemos lançou sobre toda a humanidade a marca da morte. “12. Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram. [...] 14. No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir.” (Rm 5:12 e 14)

Mas, o Deus da vida não se conforma com a morte que trouxemos à humanidade através de nosso pecado. Esse mesmo Deus que expulsou o homem do paraíso em razão de sua transgressão, também o redime:

15. Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se pela ofensa de um morreram muitos, , muito mais a graça de Deus e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos.
16. E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou; porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação.
17. Porque, se, pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.
18. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.
19. Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de um, muitos serão feitos justos.
20. Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça;
21. Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor.

(Rm 5:15-21)

O Deus da vida, que nos criou, deu a vida de seu próprio filho em holocausto, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (Jo 3:16) E é da carne do Cordeiro sacrificado por nós é que nos vem a vida eterna:

48. Eu sou o pão da vida.
49. Vossos pais comeram o maná do deserto e morreram.
50. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra.
51. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer desse pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.
52. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode nos dar este a sua carne a comer?
53. Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes da carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.
54. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último Dia.
55. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida.
56. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu, nele.
57. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim quem de mim se alimenta também viverá em mim.
58. Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.

(Jo 6:48-58)

Assim, em comunhão com o Cristo, estamos em comunhão com o Pai, e com este estão aqueles que antes de nós deixaram este mundo e conheceram o mundo que virá. Afinal, Deus, que é Deus de Abraão, Isaque e Jacó, não é o Deus dos mortos, mas dos vivos (Mt 22:33), e o Cristo é aquele que está em Deus – e Deus está nele – e já em sua vida terrena participava da comunhão dos santos, como quando lhe apareceram Moisés e Elias (Mt 17:3).

E como é, afinal, esse novo mundo e essa nova vida? Devemos achar bom que as pessoas que tanto amamos estejam lá, enquanto padecemos a dor da separação? Não, não temos como achar boa a separação – afinal, quem a trouxe para nossa existência foi o pecado, e não o amor de Deus. O próprio Cristo chorou pela morte de seu amigo Lázaro (Jo 11:35) e pediu ao Pai que não morresse, embora tenha aceitado seu destino (Mc 14:34-36). Deus, no entanto, perdoou em Cristo o nosso pecado e nos deu a vida eterna. Assim Ele falou: “1. Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. 2. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos lugar. 3. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também.” (Jo 14:1-3) E como será bom partilhar novamente da plenitude da presença de Deus!

Assim nos diz João, o escritor do Livro da Revelação:

21
1. E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.
2. E eu, João, vi a Santa Cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido.
3. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus.
4. E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas.
5. E o que estava sentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve, porque estas palavras são verdadeiras e fiéis.
6. E disse-me mais: Está cumprido; Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida.
7. Quem vencer herdará todas as coisas, e eu serei seu Deus, e ele será meu filho.
[...]
22. E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor, Deus Todo-poderoso, e o Cordeiro.
23. E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lâmpada.
24. E as nações andarão à sua luz, e os reis da terra trarão para ela a a sua glória e honra.
25. E as suas portas não se fecharão de dia, porque ali não haverá noite.
26. E a ela trarão a glória e a honra das nações.
27. E não entrará nela coisa alguma que contamine e cometa abominação e mentira, mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.
22
1. E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro.
2. No meio da sua praça e de uma e de outra banda do rio estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a saúde das nações.
3. E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão.
4. E verão o seu rosto, e na sua testa estará o seu nome.
5. E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os alumia, e reinarão para todo o sempre.

(Ap 21 e 22)

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Se nos calarmos, até as pedras gritarão!

Publicado no Vi o Mundo e no Fala Povo

Manifesto de Cristãos e cristãs evangélicos/as e católicos/as em favor da vida e da Vida em Abundância!

Somos homens e mulheres, ministros, ministras, agentes de pastoral, teólogos/as, padres, pastores e pastoras, intelectuais e militantes sociais, membros de diferentes Igrejas cristãs, movidos/as pela fidelidade à verdade, vimos a público declarar:

1. Nestes dias, circulam pela internet, pela imprensa e dentro de algumas de nossas igrejas, manifestações de líderes cristãos que, em nome da fé, pedem ao povo que não vote em Dilma Rousseff sob o pretexto de que ela seria favorável ao aborto, ao casamento gay e a outras medidas tidas como “contrárias à moral”.

A própria candidata negou a veracidade destas afirmações e, ao contrário, se reuniu com lideranças das Igrejas em um diálogo positivo e aberto. Apesar disso, estes boatos e mentiras continuam sendo espalhados. Diante destas posturas autoritárias e mentirosas, disfarçadas sob o uso da boa moral e da fé, nos sentimos obrigados a atualizar a palavra de Jesus, afirmando, agora, diante de todo o Brasil: “se nos calarmos, até as pedras gritarão!” (Lc 19, 40).

2. Não aceitamos que se use da fé para condenar alguma candidatura. Por isso, fazemos esta declaração como cristãos, ligando nossa fé à vida concreta, a partir de uma análise social e política da realidade e não apenas por motivos religiosos ou doutrinais. Em nome do nosso compromisso com o povo brasileiro, declaramos publicamente o nosso voto em Dilma Rousseff e as razões que nos levam a tomar esta atitude:

3. Consideramos que, para o projeto de um Brasil justo e igualitário, a eleição de Dilma para presidente da República representará um passo maior do que a eventualidade de uma vitória do Serra, que, segundo nossa análise, nos levaria a recuar em várias conquistas populares e efetivos ganhos sócio-culturais e econômicos que se destacam na melhoria de vida da população brasileira.

4. Consideramos que o direito à Vida seja a mais profunda e bela das manifestações das pessoas que acreditam em Deus, pois somos à sua Imagem e Semelhança. Portanto, defender a vida é oferecer condições de saúde, educação, moradia, terra, trabalho, lazer, cultura e dignidade para todas as pessoas, particularmente as que mais precisam. Por isso, um governo justo oferece sua opção preferencial às pessoas empobrecidas, injustiçadas, perseguidas e caluniadas, conforme a proclamação de Jesus na montanha (Cf. Mt 5, 1- 12).

5. Acreditamos que o projeto divino para este mundo foi anunciado através das palavras e ações de Jesus Cristo. Este projeto não se esgota em nenhum regime de governo e não se reduz apenas a uma melhor organização social e política da sociedade. Entretanto, quando oramos “venha o teu reino”, cremos que ele virá, não apenas de forma espiritualista e restrito aos corações, mas, principalmente na transformação das estruturas sociais e políticas deste mundo.

6. Sabemos que as grandes transformações da sociedade se darão principalmente através das conquistas sociais, políticas e ecológicas, feitas pelo povo organizado e não apenas pelo beneplácito de um governante mais aberto/a ou mais sensível ao povo. Temos críticas a alguns aspectos e algumas políticas do governo atual que Dilma promete continuar. Motivo do voto alternativo de muitos companheiros e companheiras Entretanto, por experiência, constatamos: não é a mesma coisa ter no governo uma pessoa que respeite os movimentos populares e dialogue com os segmentos mais pobres da sociedade, ou ter alguém que, diante de uma manifestação popular, mande a polícia reprimir. Neste sentido, tanto no governo federal, como nos estados, as gestões tucanas têm se caracterizado sempre pela arrogância do seu apego às políticas neoliberais e pela insensibilidade para com as grandes questões sociais do povo mais empobrecido.

7. Sabemos de pessoas que se dizem religiosas, e que cometem atrocidades contra crianças, por isso, ter um candidato religioso não é necessariamente parâmetro para se ter um governante justo, por isso, não nos interessa se tal candidato/a é religioso ou não. Como Jesus, cremos que o importante não é tanto dizer “Senhor, Senhor”, mas realizar a vontade de Deus, ou seja, o projeto divino. Esperamos que Dilma continue a feliz política externa do presidente Lula, principalmente no projeto da nossa fundamental integração com os países irmãos da América Latina e na solidariedade aos países africanos, com os quais o Brasil tem uma grande dívida moral e uma longa história em comum. A integração com os movimentos populares emergentes em vários países do continente nos levará a caminharmos para novos e decisivos passos de justiça, igualdade social e cuidado com a natureza, em todas as suas dimensões. Entendemos que um país com sustentabilidade e desenvolvimento humano – como Marina Silva defende – só pode ser construído resgatando já a enorme dívida social com o seu povo mais empobrecido. No momento atual, Dilma Rousseff representa este projeto que, mesmo com obstáculos, foi iniciado nos oito anos de mandato do presidente Lula. É isto que está em jogo neste segundo turno das eleições de 2010.

Com esta esperança e a decisão de lutarmos por isso, nos subscrevemos:

Dom Thomas Balduino, bispo emérito de Goiás velho, e presidente honorário da CPT nacional

Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Felix do Araguaia-MT

Dom Demetrio Valentini, bispo de Jales-SP e presidente da  Cáritas nacional

Dom Luiz Eccel – Bispo de Caçador-SC

Dom Antonio Possamai, bispo emérito da Rondônia

Dom Sebastião Lima Duarte, bispo de Viana- Maranhão

Dom Xavier Gilles, bispo emérito de Vina- Maranhão

Padre Paulo Gabriel, agente de pastoral da Prelazia de São Felix do Araguaia /MT

Jether Ramalho, Rio de Janeiro

Marcelo Barros, monge beneditino, teólogo

Professor Candido Mendes, cientista político e reitor

Luiz Alberto Gómez de Souza, cientista político, professor

Zé Vicente, cantador popular, Ceará

Chico César, Cantador popular, Paraíba/São Paulo

Revdo Roberto Zwetch, igreja IELCB e professor de teologia em São Leopoldo

Pastora Nancy Cardoso, metodista, Vassouras / RJ

Antonio Marcos Santos, Igreja Evangélica Assembléia de Deus – Juazeiro – Bahia

Maria Victoria Benevides, professora, da USP

Monge Joshin, Comunidade Zen Budista do Brasil, São Paulo

Antonio Cecchin, irmão marista, Porto Alegre

Ivone Gebara, religiosa católica, teóloga e assessora de movimentos populares.

Fr. Luiz Carlos Susin – Secretário Geral do Fórum Mundial de Teologia e Libertação

Frei Betto, escritor, dominicano

Luiza E. Tomita – Sec. Executiva  EATWOT(Ecumenical Association of Third World Theologians)

Ir. Irio Luiz Conti, MSF. Presidente da Fian Internacional

Pe. João Pedro Baresi, pres. da Comissão Justiça e Paz da CRB (Conferência dos religiosos do Brasil) SP

Frei José Fernandes Alves, OP. – Coord. da Comissão Dominicana de Justiça e Paz

Pe. Oscar Beozzo, diocese de Lins

Pe. Inácio Neutzling – jesuíta, diretor do Instituto Humanitas Unisinos

Pe. Ivo Pedro Oro, diocese de Chapecó/SC

Pe. Igor Damo, diocese de Chapecó-SC

Irmã Pompeia Bernasconi, cônegas de Santo Agostinho

Cibele Maria Lima Rodrigues, Pesquisadora

Pe. John Caruana,  Rondônia

Pe. Julio Gotardo, São Paulo

Toninho Kalunga, São Paulo

Washingtonn Luiz Viana da Cruz, Campo Largo, PR e membro do EPJ (Evangélicos Pela Justiça)

Ricardo Matense, Igreja Assembléia de Deus, Mata de São João/Bahia

Silvania Costa

Mercedez Lopes,

André Marmilicz

Raimundo Cesar Barreto Jr, Pastor Batista, Doutor em ética social

Pe. Arnildo Fritzen, Carazinho. RS

Darciolei Volpato,  RS

Frei Ildo Perondi – Londrina PR

Ir. Inês Weber, irmãs de Notre Dame.

Pe. Domingos Luiz Costa Curta, Coord. Dioc de Pastoral da Diocese de Chapecó/SC

Pe. Luis Sartorel,

Itacir Gasparin

Célio Piovesan, Canoas.RS

Toninho Evangelista – Hortolândia/SP

Geter Borges de Sousa, Evangélicos Pela Justiça (EPJ), Brasília

Caio César Sousa Marçal – Missionário da Igreja de Cristo – Frecheirinha/CE

Rodinei Balbinot, Rede Santa Paulina

Pe. Cleto João Stulp, diocese de Chapecó

Odja Barros Santos – Pastora batista

Ricardo Aléssio, cristão de tradição presbiteriana, professor universitário

Maria Luíza Aléssio, professora universitária, ex-secretária de educação do Recife

Rosa Maria Gomes

Roberto Cartaxo Machado Rios

Rute Maria Monteiro Machado Rios

Antonio Souto, Caucaia, CE

Olidio Mangolim – PR

Joselita Alves Sampaio – PR

Kleber Jorge e silva, teologia – Passo Fundo – RS

Terezinha Albuquerque

PR. Marco Aurélio Alves Vicente – EPJ – Evangélicos pela Justiça, pastor-auxiliar da Igreja Catedral da Família/Goiânia-GO

Padre Ferraro, Campinas.

Ir, Carmem Vedovatto

Ir. Letícia Pontini, discípulas, Manaus

Padre Manoel, PR

Magali Nascimento Cunha, metodista

Stela Maris da Silva

Ir. Neusa Luiz, abelardo luz- SC

Lucia Ribeiro, socióloga

Marcelo Timotheo da Costa, historiador

Maria Helena Silva Timotheo da Costa

Ianete Sampaio

Ney Paiva Chavez,  professora educação visual, Rio de janeiro

Antonio Carlos Fester

Ana Lucia Alves, Brasília

Ivo Forotti, Cebs – Canoas – RS

Agnaldo da Silva Vieira – Pastor Batista.  Igreja Batista da Esperança – Rio de Janeiro

Irmã Claudia Paixão, Rio de Janeiro

Marlene Ossami de Moura, antropóloga / Goiânia

Ir. Maria Celina Correia Leite, Recife

Pedro Henriques de Moraes Melo – UFC/ACEG

Fernanda Seibel, Caxias do Sul.

Benedito Cunha, pesquisador popular, membro do Centro Mandacaru – Fortaleza

Pe. Lino Allegri – Pastoral do Povo da Rua de Fortaleza, CE

Juciano de Sousa Lacerda, Prof. Doutor de Comunicação Social da UFRN

Pasqualino Toscan – Guaraciaba SC

Francisco das Chagas de Morais, Natal – RN

Elida Araújo

Maria do Socorro Furtado Veloso – Natal, RN

Maria Letícia Ligneul Cotrim, educadora

Maria das Graças Pinto Coelho/ professora universitária/UFRN

Ismael de Souza Maciel membro do CEBI – Centro de Estudos Bíbicos  Recife

Xavier Uytdenbroek, prof. aposentado da UFPE e membro da coordenação pastoral da UNICAP

Maria Mércia do Egito Souza agente da Pastoral da Saúde Arquidiocese de Olinda e Recife

Leonardo Fernando de Barros Autran Gonçalves Advogado e Analista do INSS

Karla Juliana Souza Uytdenbroek Bacharel em Direito

Targelia de Souza Albuquerque

Maria Lúcia F de Barbosa, Professora  UFPE

Débora Costa-Maciel,  Profª. UPE

Maria Theresia Seewer

Ida Vicenzia Dias Maciel

Marcelo Tibaes

Sergio Bernardoni, diretor da CARAVIDEO-   Goiânia – Goiás

Claudio de Oliveira Ribeiro. Sou pastor da Igreja Metodista em Santo André, SP

Pe. Paulo Sérgio Vaillant – Presbítero da Arquidiocese de Vitória – ES

Roberto Fernandes de Souza. RG 08539697-6 IFP RJ -  Secretario do CEBI RJ

Sílvia Pompéia.

Pe. Maro Passerini – coordenador Past. Carcerária – CE

Dora Seibel – Pedagoga, Caxias do Sul

Mosara Barbosa de Melo

Maria de Fátima Pimentel Lins

Prof. Renato Thiel, UCB-DF

Alexandre Brasil Fonseca , Sociólogo, prof. da UFRJ, Ig. Presbiteriana e coordenador da Rede FALE)

Daniela Sanches Frozi, (Nutricionista, profa. da UERJ, Ig. Presbiteriana, conselheira do CONSEA Nacional e vice-presidente da ABUB)

Marcelo Ayres Camurça – Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião – Universidade Federal de Juiz de Fora

Revd. Cônego Francisco de Assis da Silva,Secretário Geral da IEAB e membro da Coordenação do Fórum Ecumênico Brasil

Irene Maria G.F. da Silva Telles

Manfredo Araújo de Oliveira

Agnaldo da Silva Vieira – Pedagogo e Pastor Auxiliar da Igreja Batista da Esperança-Centro do Rio de Janeiro

Pr. Marcos Dornel – Pastor Evangélico – Igreja Batista Nova Curuçá – SP

Adriano Carvalho.

Pe. Sérgio Campos, Fundação Redentorista de Comunicações Sociais – Paranaguá/PR

Eduardo Dutra Machado, pastor presbiteriano

Maria Gabriela Curubeto Godoy – médica psiquiatra – RS

Genoveva Prima de Freitas- Professora – Goiânia

M. Candida  R. Diaz Bordenave

Ismael de Souza Maciel membro do CEBI – Centro de Estudos Bíbicos  Recife

Xavier Uytdenbroek prof. aposentado da UFPE e membro da coordenação pastoral da UNICAP

Maria Mércia do Egito Souza agente da Pastoral da Saúde Arquidiocese de Olinda e Recife

Leonardo Fernando de Barros Autran Gonçalves Advogado e Analista do INSS

Karla Juliana Souza Uytdenbroek Bacharel em Direito

Targelia de Souza Albuquerque

Maria Lúcia F de Barbosa (Professora – UFPE)

Paulo Teixeira, parlamentar, São Paulo

Alessandro Molon, parlamentar, Rio de Janeiro

Adjair Alves (Professor – UPE)

Luziano Pereira Mendes de Lima – UNEAL

Cláudia Maria Afonso de Castro-psicóloga- trabalhadora da Saúde-SMS Suzano-SP

Fátima Tavares, Coordenadora do Programa de Pos-Graduação em Antropologia FFCH/UFBA

Carlos Caroso, Professor Associado do Departamento de Antropologia e Etrnologia da UFBA

Isabel Tooda

Joanildo Burity  (Anglicano, cientista político, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco

Prof. Dr. Paulo Fernando Carneiro de Andrade, Doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, Professor de Teologia PUC- Rio

Aristóteles Rodrigues  -  Psicólogo, Mestre em Ciência da Religião

Zwinglio Mota Dias  – Professor Associado III – Universidade Federal de Juiz de Fora

Antonio Francisco Braga dos Santos- IFCE

Paulo Couto Teixeira, Mestrando em Teologia na EST/IECLB

Rev. Luis Omar Dominguez Espinoza

Anivaldo Padilha – Metodista, KOINONIA,  líder ecumênico

Nercina Gonçalves

Hélio Rios, pastor presbiteriano

João José Silva Bordalo Coelho, Professor- RJ

Lucilia Ramalho. Rio de janeiro.

Maria tereza Sartorio, educadora, ES

Maria José Sartorio, saúde, ES

Nilda Lucia sartorio, secretaria de ação social, Espírito Santo

Ângela Maria Fernandes – Curitiba, Paraná

Lúcia Adélia Fernandes

Jeanne Nascimento – Advogada em São Paulo/SP

Frei José Alamiro, franciscano, São Paulo, SP

Ruth Alexandre de Paulo Mantoan

José Luiz de Lima

Gilberto Alvarez Giusepone Júnior (Prof. Giba), educador, São Paulo

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Religião e eleição presidencial

Publicado originalmente no Notícias e Análises

O que escrevo hoje não é o que costumo escrever aqui. O lema do Notícias e Análises, da rede Marxismo Online, é “O mundo na visão de um comunista”. Mas, dado o nível a que chegou a atuação de alguns grupos na atual campanha eleitoral, e também a minha própria visão religiosa – sou cristão luterano –, preciso me posicionar religiosamente com relação ao que está acontecendo.

Nas últimas semanas tive a oportunidade de viajar para vários lugares do Brasil muito diferentes entre si. Surpreendeu-me inicialmente a atuação organizada e mentirosa de uma determinada igreja para influenciar as eleições presidenciais – e teve bastante sucesso nisso. Depois, deixando um pouco de lado o descanso merecido das férias, assisti ao debate entre os presidenciáveis, e vi então que não era apenas aquela igreja que estava manipulando e enganando os fiéis para que Dilma não ganhasse as eleições. Voltando para casa, soube de mais algumas enganações desses supostos cristãos apoiadores de Serra.

Como disse, fiquei surpreso com a ação organizada de uma determinada igreja – dando nome aos bois: a igreja batista – para ludibriar seus fiéis. Eu, na verdade, já tinha visto um vídeo no Youtube em que um pastor dessa igreja em Curitiba mentia descaradamente para que a comunidade votasse no candidato da oposição. Mentira descarada mesmo, como dizer que o PT defenderia que índios matassem milhares de crianças todo ano, que o PT seria contra a família (defenderia o divórcio e a violência doméstica!), ou que haveria uma “lei da mordaça” para impedir os “cristãos” de discriminar homossexuais. Vi isso sendo divulgado no Orkut por uma parente não muito próxima, e rebati na hora, mas não publiquei nada aqui. Agora, por dever político e religioso (já que estão misturando tanto assim as coisas), devo rebater essas e as outras mentiras propagadas por grupos supostamente cristãos.

Primeiro, devo dizer que o meu Deus é o Deus do amor e da vida. É o Deus que andou com os pobres, os leprosos e as prostitutas. É o Deus que quer uma vida melhor para todos eles – aqui mesmo na nossa terra. Meu Deus não discrimina ninguém – afinal, quem não pecou para poder atirar a primeira pedra? Meu Deus me livrou do pecado e me deu vida, vida em abundância, que devo compartilhar mesmo com aqueles que não O conhecem – afinal, não posso tratar qualquer filho do meu Deus como se não fosse merecedor da vida que Ele me dá.

Meu Deus me diz muitas coisas. Por exemplo:

2. Suponham que na reunião de vocês entre um homem com anel de ouro e roupas finas, e também entre um homem pobre com roupas velhas e sujas.

3. Se vocês derem atenção especial ao homem que está vestido com roupas finas e disserem: “Aqui está um lugar apropriado para o senhor”, mas disserem ao pobre: “Você, fique de pé ali”, ou: “Sente-se no chão, junto ao estrado onde ponho os meus pés”,

4. não estarão fazendo discriminação, fazendo julgamentos com critérios errados?

5. Ouçam, meus amados irmãos: não escolheu Deus os que são pobres aos olhos do mundo para serem ricos em fé e herdarem o Reino que ele prometeu aos que o amam?

6. Mas vocês têm desprezado o pobre. Não são os ricos que oprimem vocês? Não são eles os que os arrastam para os tribunais?

7. Não são eles que difamam o bom nome que sobre vocês foi invocado?

8. Se vocês de fato obedecerem à lei real encontrada na Escritura que diz: “Ame o seu próximo como a si mesmo”, estarão agindo corretamente.

9. Mas se tratarem os outros com favoritismo, estarão cometendo pecado e serão condenados pela Lei como transgressores.

(Tiago 2:2-9)

Leiam isso com atenção. Meu Deus diz: “Não são os ricos que oprimem vocês? Não são eles os que os arrastam para os tribunais? Não são eles que difamam o bom nome que sobre vocês foi invocado?”. Esse é o meu Deus: Aquele que não me deixa aceitar que o rico seja tratado com favoritismo, tenha condições melhores do que aqueles que nunca tiveram a oportunidade de ter uma vida melhor – sendo até hoje muitas vezes levados aos tribunais, quando uma ditadura não resolve simplesmente torturar e matar. Meu Deus é o Deus dos pobres, é o Deus dos homossexuais e das mulheres que abortaram. Por que eu pequei, e não posso julgar quem tenha ou não pecado. E não posso aceitar que um homem qualquer, especialmente um homem que diga que fala em nome de Deus, julgue os meus irmãos, pois eu pequei primeiro e não sou digno de graça alguma, de amor algum, de favoritismo algum.

Foi Deus quem me amou primeiro. Ele diz:

19. Nós amamos porque ele nos amou primeiro.

20. Se alguém afirmar: “Eu amo a Deus”, mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.

21. Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu irmão.

(João 4:19-21)

Meu Deus me manda amar meu irmão, independente de qualquer coisa, pois Deus nos amou primeiro, a mim e a todos os seus filhos. Não posso negar a quem quer que seja o fruto desse amor.

Infelizmente, nessa eleição há quem seja contra o amor incondicional de Deus. Não posso dizer o que se passa no coração dos candidatos, mas posso dizer quais são suas obras. José Serra, ex-ministro do planejamento do governo FHC, privatizou e ajudou a privatizar dezenas de empresas estatais brasileiras. Entre elas, por exemplo, a Vale do Rio Doce, vendida por um décimo de seu preço real, apenas para dar lucros a grupos privados, para enriquecer e privilegiar cada vez mais os ricos. José Serra participou ativamente do governo que aumentou em dez vezes a dívida externa brasileira, para que o brasileiro comum trabalhasse cada vez mais para sustentar os patrões estrangeiros. José Serra fez parte do governo em que o chanceler de um povo se humilhava ao entrar nos EUA tirando seus sapatos. José Serra é discípulo de FHC, de quem foi ministro, aquele mesmo que defendeu, com todas as letras, que a América Latina deveria ser dependente dos Estados Unidos da América – leiam, está lá no livro que ele escreveu, intitulado Dependência e Desenvolvimento na América Latina.

Já Dilma Rousseff foi ministra das minas e energia e chefe da casa civil do governo que criou o bolsa família, que dá renda a milhões de brasileiros que não têm como se manter sem isso – gente que não tem nem o que comer, ao contrário de você que me lê e talvez pense que se trata de um “bolsa-esmola” ou “bolsa-vagabundo”. Dilma Rousseff foi ministra do governo que fez o Brasil ser credor externo líquido – não um credor que tira dos que não têm para dar aos que têm, mas aquele que empresta dinheiro aos ricos (suprema esmola) para que a economia mundial não quebre ainda mais, e também ajuda os pobres, como os cubanos, com quem construímos um porto, ou os paraguaios, para quem pagamos agora um preço menos injusto pela energia. Dilma Rousseff foi ministra do governo que mostrou aos brasileiros e aos povos de todo o mundo que não há porque andar de cabeça baixa, pois somos gente como eles, e temos direitos. Direito, por exemplo, de nos desenvolver sem subserviência, sem pagar o preço pelo que os ricos fizeram de errado – e essa foi a posição brasileira em Copenhague, na cúpula do clima, bravamente defendida pela nossa diplomacia e dos povos a quem nos unimos, como o da Venezuela ou o de Tuvalu. São candidatos bem diferentes, e apenas um pode levar vida aos meus irmãos e diminuir os favoritismos.

Enquanto isso, tem gente enganando em nome de Deus. Tem gente querendo que os cristãos pensem que a Bíblia diz “o pastor é meu senhor e nada me faltará”. Mas, o único Senhor é o Criador de tudo o que existe. É aquele ama os pobres, os doentes, as prostitutas, os drogados, as que abortaram. Pode não ser fácil ver quem procede de Deus, e quem do diabo – aquele que confunde, que mistura as coisas, que faz as pessoas acharem bom o que é ruim. Mas, a árvore boa é a que dá bons frutos. Nós sabemos os frutos de cada candidato nesta eleição. Peço que você, quando vir alguém usando o nome de Deus para pregar o voto nesse candidato ou contra aquele, reflita sobre a Palavra. Pois a Palavra diz:

1. “Não julguem, para que vocês não sejam julgados.

2. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.

3. “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?

4. Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu?

5. Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.

6. “Não dêem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos; caso contrário, estes as pisarão e, aqueles, voltando-se contra vocês, os despedaçarão”.

7. “Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta.

8. Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta.

9. “Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra?

10. Ou se pedir peixe, lhe dará uma cobra?

11. Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem!

12. Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas”.

13. “Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela.

14. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram”.

15. “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores.

16. Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas?

17. Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins.

18. A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons.

19. Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo.

20. Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!

21. “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.

22. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? ’

23. Então eu lhes direi claramente: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!’ ”

(Mateus 7:1-23)

Ajam conforme essas palavras, e vocês saberão em quem votar e em quem acreditar. A porta que leva à vida pode ser estreita, e o caminho, apertado, mas essa deve ser a nossa escolha! Pode ser que alguém diga a você que tal pessoa seja contra os valores cristãos. Você tem a chave para escolher corretamente: essa pessoa, possível presidente do Brasil, levará a vida aos meus irmãos mais pobres, ou levará a morte? Essa pessoa diminuirá os favoritismos, ou criará privilégios? Respondendo essas perguntas, você saberá escolher. Apesar das várias enganações da atual campanha presidencial, não é tão difícil ver quem é quem. Quem promete uma vida melhor para todos os brasileiros, e quem quer enganar os mais humildes com promessas vãs, como um salário um pouquinho melhor no próximo ano enquanto acaba com todos os avanços do governo Lula, da educação à diplomacia. Quem defende renda mínima para todos os que necessitam, e quem defende os vales do governo anterior, que só atendiam uma parcela pequena dos que precisavam.

Enfim, tenho que dizer que a minha candidata, Dilma Rousseff, fez coisas que poucos têm coragem de fazer. Sua história é marcada pela luta em defesa dos pobres e contra os favoritismos. Ela resistiu à ditadura, foi presa e torturada. Ela ingressou na política partidária e foi secretária municipal e estadual nas áreas de finanças públicas e energia. Ela virou ministra do governo Lula, e não foi por acaso. Posso achar que é preciso avançar muito mais do que ela pode ou se propõe hoje a fazer. Mas não posso negar que ela é uma mulher que não teve medo de escolher a porta estreita, especialmente nos momentos mais duros da ditadura militar. Ela defendeu a vida com a própria vida. E isso muitas pessoas fizeram independente de crer ou não em meu Deus. Estou com essas pessoas. Sou comunista. E Deus me chama com palavras como as que usou com Jeremias: “Veja! Eu hoje dou a você autoridade sobre nações e reinos, para arrancar, despedaçar, arruinar e destruir; para edificar e para plantar.” (Jeremias 1:10) Há muita coisa que precisamos arrancar, despedaçar, arruinar e destruir. Precisamos edificar e plantar um novo mundo e uma nova sociedade, sem favoritismos, sem a opressão dos ricos e com o direito de cada um usufruir dos frutos de toda a sociedade.

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