Deixe sua opinião sobre o Caritas in Veritate!

Arquivo de postagens

Evento de Pencostes 2014

O evento criado no Facebook é um convite para que todos santifiquemos não apenas o próximo domingo, quando celebraremos a vinda do Espírito Santo, mas toda ação humana nesse dia. É um convite para que rezemos, agradeçamos e louvemos a Deus por meio da liturgia das horas, conforme o livreto que publico aqui (disponível abaixo em vários formatos). De manhã cedo, dia 8 de junho de 2014, façamos esse grande evento espiritual: a oração da manhã, chamada laudes.

Laudes de Pentecostes (capa)

Capa do livreto contendo as laudes do domingo de Pentecostes

Baixe o livreto com as laudes de Pentecostes:

São José Operário

Hoje, dia do trabalho, é dia de refletir sobre o mistério do homem participando da criação de Deus. É nesse dia que celebramos a memória de S. José, esposo da Virgem Maria, sob o aspecto do trabalhador. Interessante refletir sobre o hino das laudes:

Anuncia a aurora do dia,
chama todos ao trabalho;
como outrora em Nazaré,
já se escutam serra e malho.

Salve, ó chefe de família!
Que mistério tão profundo
ver que ensinas teu ofício
a quem fez e salva o mundo!

Habitando agora o alto
com a Esposa e o Salvador,
vem e assiste aqui na terra
todo pobre e sofredor!

Ganhe o pobre um bom salário,
e feliz seja em seu lar;
gozem todos de saúde
com modéstia e bem-estar.

São José, roga por nós
à Trindade que é um só Deus;
encaminha os nossos passos,
guia a todos para os céus.

Quando Deus criou o mundo, disse ao homem: “Frutificai – disse ele – e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.” (Gn 1,28b-c) Aliás, “o Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Éden, para cultivar o solo e o guardar.” (Gn 2,15) Sem o homem, a terra seria vazia e estéril (Gn 2,5). Quando, porém, o homem e a mulher pecaram, o trabalho, que deveria ser participação alegre e suave na obra divina, se tornou penoso, e o objeto do trabalho, como que um inimigo diante do homem (Gn 3,17-19).

O trabalho, pois, deve ser digna participação na obra divina, e tudo aquilo que o torna penoso é participação no pecado. A importância do trabalho é tamanha que o próprio Deus quis se tornar um trabalhador. Os governos e empregadores devem se esforçar ao máximo para que os trabalhadores tenham dignas condições de vida e de trabalho, e os trabalhadores devem procurar tais condições com alegria e altivez, pois tomam parte da obra de Deus. Neste ano de eleições, esse é um dos aspectos que devemos considerar ao escolher nossos candidatos, ao lado da defesa da vida, do nascituro, da infância, do meio ambiente, da dignidade da condição humana em geral, assim como da liberdade de consciência e de religião, para que possamos sempre professar nossa fé com liberdade e em público.

Para finalizar, deixo aqui as preces e a oração do dia (chamada coleta) para as laudes de hoje:

Oremos humildemente ao Senhor, de quem procede toda perfeição e santidade dos justos; e digamos:
R. Santificai-nos Senhor, segundo a vossa justiça!
Senhor Deus, que chamastes os nossos pais na fé para caminharem na vossa presença com um coração perfeito, fazei que, seguindo os seus passos, alcancemos a perfeição de acordo com a vossa vontade.
R. Santificai-nos Senhor, segundo a vossa justiça!
Vós, que escolhestes São José, homem justo, para cuidar de vosso Filho na infância e juventude, fazei que sirvamos em nossos irmãos e irmãs o Corpo místico de Cristo.
R. Santificai-nos Senhor, segundo a vossa justiça!
Vós, que destes a terra aos seres humanos para que a povoassem e dominassem, ensinai-nos a trabalhar corajosamente neste mundo, buscando sempre a vossa glória.
R. Santificai-nos Senhor, segundo a vossa justiça!
Pai de todos nós, lembrai-vos da obra de vossas mãos, e dai a todos trabalho e condições de vida digna.
R. Santificai-nos Senhor, segundo a vossa justiça!

E agora, obedientes à vontade de nosso Senhor Jesus Cristo,ousamos dizer:
Pai nosso que estais nos céus,
santificado seja o vosso nome;
venha a nós o vosso reino,
seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu;
o pão nosso de cada dia nos dai hoje;
perdoai-nos as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido,
e não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.

Oremos:
Ó Deus, criador do universo, que destes aos homens a lei do trabalho, concedei-nos, pelo exemplo e a proteção de São José, cumprir as nossas tarefas e alcançar os prêmios prometidos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Jesus Cristo, Rei do Universo

Hoje, domingo da 34.ª semana do tempo comum, último domingo antes do advento, comemoramos Jesus Cristo, Rei do Universo. É o encerramento do ano litúrgico, que se iniciou com a espera da vinda do Filho do Homem, seu nascimento, sua adoração por todas as nações e pelos anjos, que passou por seu ministério, sua paixão, morte e ressurreição, com que foi tragada a morte para longe de nós, de forma que com ele hoje vivemos e comemoramos e pedimos que venha o seu reinado. Vejamos algumas palavras de Orígenes, presbítero do século III, a esse respeito, conforme a Liturgia das Horas para hoje:

O Reino de Deus, conforme as palavras de nosso Senhor e Salvador, não vem visivelmente, nem se dirá: Ei-lo aqui ou ei-lo ali; mas o reino de Deus está dentro de nós (cf. Lc 17,21), pois a palavra está muito próxima de nossa boca e em nosso coração (cf. Rm 10,8). Donde se segue, sem dúvida nenhuma, que quem reza pedindo a vinda do reino de Deus pede – justamente por já ter em si um início deste reino – que ele desponte, dê frutos e chegue à perfeição.

Pois Deus reina em todo o santo e quem é santo obedece às leis espirituais de Deus, que nele habita como em cidade bem administrada. Nele está presente o Pai e, junto com o Pai, reina Cristo na pessoa perfeita, segundo suas palavras: Viremos a ele e nele faremos nossa morada (Jo 14,23).

Então o reino de Deus, que já está em nós, chegará por nosso contínuo adiantamento à plenitude, quando se completar o que foi dito pelo Apóstolo: sujeitados todos os inimigos, Cristo entregará o reino a Deus e Pai, a fim de que Deus seja tudo em todos (cf. 1Cor 15,24.28). Por isto, rezemos sem cessar, com aquele amor que pelo Verbo se faz divino; e digamos a nosso Pai que está nos céus: Santificado seja teu nome, venha o teu reino (Mt 6,9-10).

Pedindo a Deus que seu reino se faça presente em nós desde já e eternamente, oremos:

Vinde Espírito Santo, enchei os corações de vosso fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor.
V. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado.
R. E renovareis a face da terra.
Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas, segundo o mesmo Espírito, e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo, Senhor nosso. Amém.

Quarta-feira de cinzas

Hoje se inicia o tempo da quaresma. A cor roxa nos paramentos litúrgicos nos convida à conversão. O jejum que fazemos hoje (alimentar-se apenas uma vez, ou mesmo comer moderadamente em três refeições, para aqueles que podem) nos faz lembrar a fraqueza de nossa condição pecadora, para que depositemos em Deus nossa confiança. Esse é também o tempo em que os antigos faziam a catequese dos que postulavam ao batismo e, quando se encerra esse tempo, ao celebrarmos a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo na vigília pascal, ainda hoje se batizam os adultos. É tempo de conversão, de voltar-se para Deus, de meditar sobre a vitória de Jesus Cristo sobre a tentação e o pecado, para em seguida celebrarmos a nova vida na ressurreição do Cristo, aquele que detém as chaves para nos libertar da morte.

Deixo-vos as preces de hoje nas laudes, o ofício da Liturgia das Horas celebrado no início do dia, que bem resumem esse tempo:

Demos graças a Deus Pai, que nos concede o dom de iniciar hoje o tempo quaresmal. Supliquemos que durante estes dias de salvação ele purifique e confirme os nossos corações na caridade, pela vinda e ação do Espírito Santo. Digamos, pois, cheios de confiança:
R. Dai-nos, Senhor, o vosso Espírito Santo!

Ensinai-nos a saciar o nosso espírito, com toda palavra que brota de vossos lábios.
R. Dai-nos, Senhor, o vosso Espírito Santo!

Fazei que pratiquemos a caridade, não apenas nas grandes ocasiões, mas principalmente no cotidiano de nossas vidas.
R. Dai-nos, Senhor, o vosso Espírito Santo!

Concedei que saibamos renunciar ao supérfluo, para podermos socorrer os nossos irmãos necessitados.
R. Dai-nos, Senhor, o vosso Espírito Santo!

Dai-nos trazer sempre em nosso corpo os sinais da Paixão de vosso Filho, vós que nos destes a vida em seu corpo.
R. Dai-nos, Senhor, o vosso Espírito Santo!

(Intenções livres)

Pai nosso que estais nos céus,
santificado seja o vosso nome;
venha a nós o vosso reino,
seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu;
o pão nosso de cada dia nos dai hoje;
perdoai-nos as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido,
e não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.

Concedei-nos, ó Deus todo-poderoso, iniciar com este dia de jejum o tempo da Quaresma, para que a penitência nos fortaleça no combate contra o espírito do mal. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Amém!

Pelos migrantes – intenção geral do papa para fevereiro

Para que as famílias de migrantes sejam amparadas e acompanhadas em suas dificuldades, sobretudo as mães.

Quem quer que tenha vivido a grande distância de sua terra sabe as dificuldades para se adaptar a uma nova cultura, um novo clima, e mesmo a uma nova paisagem. São grandes as saudades dos que ficaram, e grande é a vontade de voltar. Muitos vão à procura de emprego, outros vão estudar, e ainda outros fogem de situações calamitosas em seus locais de origem.

A Igreja não é indiferente a isso. Aliás, não foram poucos os santos – inclusive entre os Padres da Igreja – que viveram exilados ou saíram de suas terras em busca de algo melhor. No próximo dia 8, por exemplo, comemora-se Santa Josefina Bakhita, primeiro feita escrava, mas que, tendo recebido a liberdade legal, resolveu emigrar junto de seus patrões, quando estes retornaram para a Itália. Lá, conheceu a liberdade integral, que Deus lhe concedeu.

Outro caso famoso, é o de Santo Agostinho. O então futuro bispo de Hipona foi à Itália em busca da Verdade. Na época, apesar das constantes preces de sua mãe, Santa Mônica, ele era adepto da heresia dos maniqueus, que imaginavam um princípio bom (Deus) das coisas espirituais, e um princípio mal (demônio) das coisas materiais. Como sua alma não se aquietava, viajou à procura de Deus, chegando a Milão, onde encontrou Santo Ambrósio. Convertido, foi batizado pelo bispo milanês, junto com seu filho e alguns amigos, começando então a viagem de regresso a sua terra. Santa Mônica, que sonhava retornar à África antes de morrer, tendo então a paz em sua alma, pois seu filho se convertera à fé cristã, aceitou tranquilamente a morte em Óstia, cidade em que fica o porto que serve Roma. Faleceu e foi sepultada na Itália. Agostinho e o filho retornaram à África, onde aquele se tornou bispo, não em sua cidade natal, Tagaste, mas em Hipona.

Porém, somos todos desterrados, somos os “degredados filhos de Eva”, como dizemos na Salve Rainha. Nossa pátria é a Jerusalém Celeste, revelada em seu brilho e glória no final do Apocalipse. Mas, há aqueles que nem o conforto da familiaridade com a cultura e com o ambiente, ou então a proximidade da família e dos amigos têm. Rezemos por nós, mas rezemos especialmente pelos duplamente desterrados: os que não estão nem na Jerusalém Celeste – na glória do Senhor -, nem na terra que têm como sua neste mundo.

Salve Rainha, mãe de misericórdia,
Vida e esperança nossa, salve!
A vós bradamos os degredados filhos de Eva,
A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas.
Eia, pois, advogada nossa!
Os vossos olhos misericordiosos a nós volvei
E depois deste desterro mostrai-nos Jesus,
Bendito fruto do vosso ventre,
Ó clemente, ó piedosa, ó doce, sempre virgem Maria!

Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Amém!