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Postagens de outubro 2012

Entregar-se a Deus

O que Deus quer de nós? Ouso dizer que uma coisa muito simples: nós, todos e completamente. Deus nos fez à sua imagem e semelhança (Gn 1,26s). E quem é Deus, a quem devemos nos assemelhar?

Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. Pai, que se conhece no Filho (seu lógos, Palavra Eterna – Jo 1,1s), que é idêntico ao Pai em tudo, por natureza e em relação filial. Pai que ama seu Filho no Espírito Santo de amor, que se entrega e se esvazia, Pai que confia ao Filho todas as coisas e lhe “concede o Espírito sem medidas” (Jo 3,34s). Filho que, em resposta eterna ao Pai, entrega a Este tudo o que recebeu, esvaziando-se completamente. “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”, disse Jesus Cristo, ao espirar na Santa Cruz (Lc 23,46). Ao fazer isso, esvaziando-se e aniquilando-se completamente, recebeu o lugar que Lhe é devido desde a eternidade, à direita do Pai, e um nome que é acima de todos os nomes (Fl 2,6-11).

“Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos muito amados. Progredi na caridade, segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor.” (Ef 5,1s)

Imitando Cristo (4)

Livro I – Avisos úteis para a vida espiritual

Capítulo 4 – Da prudência nas ações

1. Não se há de dar crédito a toda palavra nem a qualquer impressão, mas cautelosa e naturalmente se deve, diante de Deus, ponderar as coisas. Mas, ai! Que mais facilmente acreditamos e dizemos dos outros o mal que o bem, tal é a nossa fraqueza. As almas perfeitas, porém, não crêem levianamente em qualquer coisa que se lhes conta, pois conhecem a fraqueza humana inclinada ao mal e fácil de pecar por palavras.

2. Grande sabedoria é não ser precipitado nas ações, nem aferrado obstinadamente à sua própria opinião; sabedoria é também não acreditar em tudo que nos dizem, nem comunicar logo a outros o que ouvimos ou suspeitamos. Toma conselho com um varão sábio e consciencioso, e procura antes ser instruído por outrem, melhor que tu, que seguir teu próprio parecer. A vida virtuosa faz o homem sábio diante de Deus e entendido em muitas coisas. Quanto mais humilde for cada um em si e mais sujeito a Deus, tanto mais prudente será e calmo em tudo.

“A prudência”, nos ensina a Igreja, “é a virtude que dispõe a razão prática a discernir, em qualquer circunstância, nosso verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para realizá-lo” (Catecismo da Igreja Católica, 1806). Jesus Cristo, no Sermão da Montanha, nos ensina a sermos “mansos” para “possuirmos a terra” (Mt 5,5).

O autor da Imitação de Cristo nos coloca claramente diante de uma oposição prudência-precipitação. De maneira semelhante, Tanquerey, em seu Compêndio de teologia ascética e mística (1021-1024), coloca-a primeiramente como uma deliberação madura, após consulta à própria razão e a outras pessoas, um bom julgamento e, finalmente, a realização daquilo que foi deliberado.

Se pensarmos na mansidão de que nos fala Jesus, e se ainda remetermos à palavra hebraica utilizada, veremos que o Sermão da Montanha fala da humildade, da suavidade e da paciência. Trata-se, portanto, da necessidade de agir sem nos apegarmos aos nossos juízos imediatos, nem a nossa volubilidade. Avaliar com desapego as situações que se nos apresentam – desapego das nossas vontades egoístas, de nossos juízos mesquinhos e da satisfação imediata -, para que encontremos então a terra que dá a paz ao povo peregrino, que não encontra lugar neste mundo. É esse repouso que o próprio Cristo promete aos que forem mansos e humildes como ele (Mt 11,29).

Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil

O Brasil tem uma excelente padroeira: a Virgem Maria, mãe de Deus e nossa mãe. No momento escolhido por Deus para unir-se à humanidade, preparou para si uma mãe que lhe fosse digna, essa mulher, chamada Maria (como tantas outras já em seu tempo), concebida imaculada, isto é, sem a mancha do pecado original, para que fosse sacrário vivo do Filho do Altíssimo.

Na cruz, Jesus Cristo entregou-a a nós na pessoa de São João para que a venerássemos como digna mãe de Deus e exemplo de santidade, mas também para que cuidasse de nós como de filhos: “Quando Jesus viu a sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe” (Jo 19,26-27a).

Não muito tempo antes da independência do Brasil, quando já a revolta contra a coroa portuguesa aumentava, apareceu em São Paulo uma imagem da Virgem Maria. Essa imagem aos poucos foi se tornando célebre graças aos milagres a seu redor, como sinal de que o Brasil tinha uma poderosa protetora. Eis a história de Nossa Senhora Aparecida, retirada da Liturgia das Horas:

Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil

Na segunda quinzena de outubro de 1717, três pescadores, Filipe Pedroso, Domingos Garcia e João Alves, ao lançarem sua rede para pescar nas águas do Rio Paraíba, colheram a Imagem de Nossa Senhora da Conceição, no lugar denominado Porto do Itaguassu. Filipe Pedroso levou-a para sua casa conservando-a consigo até 1732, quando a entregou a seu filho Atanásio Pedroso. Este construiu um pequeno oratório para rezar o terço. Devido à ocorrência de milagres, a devoção a Nossa Senhora começou a se divulgar, com o nome dado pelo povo de Nossa Senhora Aparecida. A 26 de julho de 1745 foi inaugurada a primeira Capela. Como esta, com o passar dos anos, não comportasse mais o número de devotos, iniciou-se em 1842 a construção de um novo templo inaugurado a 8 de dezembro de 1888. Em 1893, o Bispo diocesano de São Paulo, Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, elevou-o à dignidade de “Episcopal Santuário de Nossa Senhora da Conceição Aparecida”. A 8 de setembro de 1904, por ordem do Papa Pio X, a Imagem milagrosa foi solenemente coroada, e a 29 de abril de 1908 foi concedido ao Santuário o título de Basílica menor. O Papa Pio XI declarou e proclamou Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil a 16 de julho de 1930, “para promover o bem espiritual dos fiéis e aumentar cada vez mais a devoção à Imaculada Mãe de Deus”. A 5 de março de 1967 o Papa Paulo VI ofereceu a “Rosa de Ouro” à Basílica de Aparecida. Em 1952 iniciou-se a construção da nova Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida, solenemente dedicada pelo Papa João Paulo II a 4 de julho de 1980.

Oração

Ó Deus todo-poderoso, ao rendermos culto à Imaculada Conceição de Maria, Mãe de Deus e Senhora nossa, concedei que o povo brasileiro, fiel à sua vocação e vivendo na paz e na justiça, possa chegar um dia à pátria definitiva. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Nossa Senhora da Conceição Aparecida, rogai por nós!

O sacramento do matrimônio

As leituras do último domingo estão voltadas para o sacramento do matrimônio e para a família. No texto do Evangelho segundo S. Marcos (10,2-16), Jesus Cristo estabelece claramente qual a vontade divina, expressa já na criação do mundo:

Chegaram os fariseus e perguntaram-lhe, para o pôr à prova, se era permitido ao homem repudiar sua mulher. Ele respondeu-lhes: “Que vos ordenou Moisés?”. Eles responderam: “Moisés permitiu escrever carta de divórcio e despedir a mulher”. Continuou Jesus: “Foi devido à dureza do vosso coração que ele vos deu essa Lei; mas, no princípio da Criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher; e os dois serão senão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. [cf. Gn 1,27;2,24] Não separe, pois, o homem o que Deus uniu”.

Em casa, os discípulos fizeram-lhe perguntas sobre o mesmo assunto. E ele disse-lhes: “Quem repudia sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher repudia o marido e se casa com outro, comete adultério”.

A mensagem é clara – e prossegue com a benção das crianças, que são elas mesmas a benção do casamento (Gn 1,28; Sl 126).

Mas, a mensagem da Revelação vai além. Primeiramente, como instrumento da graça de Deus: “Porque o marido que não tem a fé é santificado por sua mulher; assim como a mulher que não tem a fé é santificada pelo marido que recebeu a fé” (1Cor 7,14). O matrimônio é, portanto, sacramento, pois sinal vivo e eficaz da graça, instituído pelo Verbo Eterno, que é Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em segundo lugar, por semelhança e com grande beleza, a Igreja é esposa de Cristo:

Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim os maridos devem amar as suas mulheres, como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo. Certamente, ninguém jamais aborreceu a sua própria carne; ao contrário, cada qual a alimenta e trata, como Cristo faz à sua Igreja, porque somos membros de seu corpo. [Ef 5,25-30]

O matrimônio aparece dessa maneira também no Apocalipse de S. João (19,7-9), quando nos são narradas as núpcias do Cordeiro com a Esposa vestida com o “linho puríssimo e resplandecente” que são as boas obras dos santos. “Felizes os convidados para a ceia das núpcias do Cordeiro”, são palavras autênticas de Deus. Alegremo-nos, pois todos nós somos convidados (Mt 22,9) – e o matrimônio é sua antecipação (Catecismo da Igreja Católica, 1642).