A humildade do apóstolo Paulo

A conversão de São Paulo, por Michelangelo (1542).

A conversão de São Paulo, por Michelangelo (1542).

Hoje a Igreja celebra a conversão de São Paulo apóstolo. Ele, que foi primeiro um perseguidor dos cristãos, se tornou depois talvez o maior evangelizador, pois levou a Boa Nova aos gentios, isto é, aos habitantes do Império Romano que não eram judeus — assim nós recebemos a fé. Esse homem, antes chamado Saulo, intenso perseguidor dos primeiros cristãos, presente no martírio de Santo Estêvão, diácono e primeiro mártir, investido de autoridade humana para perseguir os seguidores de Cristo, se tornou fraco. Antes cego pelo conhecimento humano — pois, fariseu e estudioso, era versado na Lei — ficou cego e viu a Luz que é Jesus Cristo Senhor (At 9,3-22). Na fraqueza se tornou verdadeiramente forte (2 Cor 12,9s) e “um instrumento escolhido, que levará o meu nome diante das nações, dos reis e dos filhos de Israel” (At 9,15).

Paulo tinha todos os motivos para ser orgulhoso. Diante dos homens tinha um currículo invejável. Mas, isso não impediu que Deus lhe perguntasse: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Era justamente da autoridade humana que ele se investia para perseguir os primeiros cristãos. Contudo, como o próprio apóstolo escreveu:

No entanto, eu poderia confiar também na carne. Se há quem julgue ter motivos humanos para se gloriar, maiores os possuo eu: circuncidado ao oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu e filho de hebreus. Quanto à lei, fariseu; quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça legal, declaradamente irrepreensível. Mas tudo isso, que para mim eram vantagens, considerei perda por Cristo. Na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por ele tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo e estar com ele. Não com minha justiça, que vem da lei, mas com a justiça que se obtém pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus pela fé. Anseio pelo conhecimento de Cristo e do poder da sua Ressurreição, pela participação em seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na morte, com a esperança de conseguir a ressurreição dentre os mortos. Não pretendo dizer que já alcancei (esta meta) e que cheguei à perfeição. Não. Mas eu me empenho em conquistá-la, uma vez que também eu fui conquistado por Jesus Cristo. Consciente de não tê-la ainda conquistado, só procuro isto: prescindindo do passado e atirando-me ao que resta para a frente, persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo. (Fl 3,4-14)

E quantas vezes não nos tornamos também legalistas e perseguidores da Igreja! Quantas vezes não apontamos para nosso irmão e o tachamos de pecador? Conheço pessoas catolicíssimas que dizem que os bispos brasileiros seriam hereges. Se eles fossem mesmo hereges e não estivessem em comunhão com o papa, como estariam eles unidos a Cristo e à sua Igreja? Que autoridade têm eles para dizer que aqueles por quem recebem a fé e os sacramentos estariam longe da fé e do sacramento de Cristo, que é a Igreja?

Mas, lá vou eu julgando os outros do alto da minha pequenez… Fico estarrecido com os que apontam o pecado dos outros, mas eis que aponto pecado neles — ou melhor, aponto para um caso que talvez seja dos mais emblemáticos da nossa hipocrisia cotidiana. Se não cometo a estultice que mencionei, cometo muitas estultices às escondidas, que só eu sei — e das quais só Deus pode me libertar. Em vez desse comportamento, de apontar o erro dos outros, deveríamos fazer como nos diz com humildade o apóstolo Paulo:

E a graça de nosso Senhor foi imensa, juntamente com a fé e a caridade que está em Jesus Cristo. Eis uma verdade absolutamente certa e merecedora de fé: Jesus Cristo veio a este mundo para salvar os pecadores, dos quais sou eu o primeiro. (I Tm 1,14s)

Oremos segundo a liturgia de hoje:

Ó Deus, que instruístes o mundo inteiro pela pregação do apóstolo São Paulo, dai-nos, ao celebrar hoje sua conversão, caminhar para vós seguindo os seus exemplos, e ser no mundo testemunhas do Evangelho. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Amém!

Papa: não há Santo sem pecado, nem pecador sem futuro

Mais uma vez devo dizer que não é meu hábito publicar aqui textos de outras pessoas. Mas, certas vezes, alguns textos são importantes demais para ficarem sem divulgação — não digo mais ampla, mas ao menos como uma esperança pessoal de que cheguem a pessoas que não os conheceriam de outra maneira. É o caso do texto de hoje.

Ontem mesmo me peguei a pensar sobre a relação entre santidade e pecado. Hoje, o papa Francisco nos brindou com uma bela homilia sobre isso. Abordando a história de Davi — de pequeno pastor na menor entre as cidades de Judá, isto é, Belém — a rei de Israel, santo, mesmo tendo cometido muitos e graves pecados, o papa nos recorda o caminho cristão da santidade: “o caminho que o Senhor nos convidou a percorrer, não há nenhum Santo sem passado, tampouco um pecador sem futuro”.

Papa: não há Santo sem pecado, nem pecador sem futuro

2016-01-19 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Deus não fica nas aparências, mas vê o coração. Foi o que afirmou Francisco na missa matutina na Casa Santa Marta nesta terça-feira (19/01), centralizada na primeira Leitura, que narra a eleição do jovem Davi como rei de Israel. O Papa destacou que também na vida dos Santos há tentações e pecados, como demonstra a própria vida de Davi, mas jamais se pode usar Deus para vencer uma causa própria.

O Senhor vê o coração, não fica nas aparências

O Senhor rejeita Saul “porque tinha o coração fechado, não havia obedecido ao Senhor” e pensa, portanto, em escolher outro rei. Uma escolha distante dos critérios humanos, já que Davi era o menor dos filhos de Jessé, um rapaz. Mas o Senhor faz entender ao profeta Samuel que para ele não conta a aparência, “o Senhor vê o coração”:

“Nós somos tantas vezes escravos das aparências, escravos das coisas que aparecem e nos deixamos levar por essas coisas: ‘Mas isso parece …’ Mas o Senhor sabe a verdade. É assim esta história. Passam os sete filhos de Jessé e o Senhor não escolhe ninguém, os deixa passar. Samuel se encontra um pouco em dificuldade e diz ao Pai: ‘’A este tampouco o Senhor escolheu’?’ ‘’Estão aqui todos os teus filhos?’ ‘’Resta ainda o mais novo, que está apascentando as ovelhas’’. Aos olhos dos homens, este jovem não contava”.

Davi reconhece seu pecado e pede perdão

Não contava para os homens, mas o Senhor o escolhe e ordena a Samuel de ungi-lo, e o Espírito do Senhor “se apoderou de Davi”. E, a partir daquele dia, “toda a vida de Davi foi a vida de um homem ungido pelo Senhor, eleito pelo Senhor”. “Então – se pergunta Francisco – o Senhor o fez santo?” Não, é a sua resposta, “o Rei Davi é o santo Rei Davi, isso é verdade, mas Santo depois de uma longa vida”, mas também uma vida com pecados:

“Santo e pecador. Um homem que soube unir o Reino, soube levar adiante o povo de Israel. Mas tinha as suas tentações… tinha seus pecados: foi também um assassino. Para encobrir sua luxúria, o pecado de adultério, mandou… comandou que matassem. Ele! ‘Mas o santo Rei Davi matou?’ Mas quando Deus enviou o profeta Natã para que visse esta realidade, porque ele não tinha se dado conta da barbárie que havia ordenado, reconheceu: ‘pequei’. E ‘pediu perdão’”.

Assim, prosseguiu o Papa, “a sua vida seguiu adiante. Sofreu na carne a traição do filho, mas nunca usou Deus para vencer uma causa própria”. Assim, recordou que, quando Davi deve fugir de Jerusalém, devolve a Arca e declara que não usará o Senhor em sua defesa. E quando era insultado Davi, em seu coração, pensava: “eu mereço”.

Não existe Santo sem passado, tampouco um pecador sem futuro

Depois, destacou Francisco, “vem a magnanimidade”: poderia matar Saul “mas não o fez”. Eis o Santo rei Davi, grande pecador, mas arrependido. “Me comove – confessou o Papa – a vida deste homem”, que nos faz pensar em nossa vida.

“Todos fomos escolhidos pelo Senhor para o Batismo, para estar no seu povo, para ser Santos; fomos consagrados pelo Senhor neste caminho da santidade. Foi lendo esta vida, de um menino – aliás, não um menino, um rapaz – de um rapaz a um idoso, que fez tantas coisas boas e outras nem tanto, que me ocorre que no caminho cristão, no caminho que o Senhor nos convidou a percorrer, não há nenhum Santo sem passado, tampouco um pecador sem futuro”. (BF/RB)

O Advento de Jesus Cristo

Estamos no tempo do Advento. Nele vivemos, é claro, a alegre expectativa do nascimento de Jesus Cristo. Mas, não só isso. Nele nos preparamos para a segunda vinda, gloriosa, de Jesus, que virá para julgar os vivos e os mortos. Não é à toa que a cor litúrgica é a roxa: a mesma cor da quaresma, a preparação para a morte e ressurreição do Cristo. Acompanhemos a Liturgia — nesse tempo, “as leituras do Evangelho têm uma característica própria: refere-se à vinda do Senhor no final dos tempos (primeiro domingo), a João Batista (segundo e terceiro domingos), aos acontecimentos que preparam de perto o nascimento do Senhor (quarto domingo).” (Introdução ao Lecionário, n.º 93)

No primeiro domingo:

Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos: Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. Os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas. Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima.

Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra. Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem. (Lc 21,25-28.34-36)

Do segundo domingo:

E ele percorreu toda a região do Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados, como está escrito no Livro das palavras do profeta Isaías: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados. E todas as pessoas verão a salvação de Deus”. (Lc 3,1-6)

Do terceiro domingo:

Por isso, João declarou a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo. Ele virá com a pá na mão: vai limpar sua eira e recolher o trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga.” (Lc 3,16s)

E, finalmente, do quarto domingo:

Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou:

“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?
Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu.” (Lc 1,39-45)

Como vemos, o Evangelho do primeiro domingo diz claramente que Jesus virá, e insta à conversão, à preparação para o momento em que ficaremos diante do Cristo Juiz: “ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem”.

Na proclamação do terceiro domingo, de forma semelhante, João Batista afirma: “Ele virá com a pá na mão: vai limpar sua eira e recolher o trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga.” Esse não é o momento da manjedoura, mas o momento da vinda gloriosa, o momento do julgamento. É preciso ser dócil ao ensinamento divino e buscar a conversão, pois “Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo“, isto é, seremos mergulhados no Espírito Santo (pelo batismo sacramental) e também no fogo da provação, para nos purificarmos. E, no segundo domingo, vemos que São João Batista pregava a conversão do coração, lembrando as palavras do profeta Isaías: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados. E todas as pessoas verão a salvação de Deus” — devemos preparar o nosso coração para a chegada do Cristo Salvador.

No quarto domingo, enfim, temos o momento da expectativa pela chegada iminente do Menino-Deus, quando São João Batista pula dentro do ventre de Santa Isabel à chegada do Messias e de sua mãe, a Virgem Maria. No Evangelho lemos então um dizer importante nas palavras da prima de Nossa Senhora: “Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. Claro que isso valia imediatamente para a Mãe de Deus. Mas, vale também para nós, agora: se acreditarmos e nos mantivermos firmes na fé, no que já aconteceu quando Jesus Cristo estava neste mundo, no que acontece hoje na Igreja, e na promessa do Céu, então isso tudo será cumprido e veremos em plenitude a glória de Deus.

Assim seja!

O liberalismo é contra a Igreja. Por quê?

O liberalismo é intrinsecamente contrário à Igreja. Na imagem, uma pessoa sendo decapitada durante a Revolução Francesa (c. 1793).

O liberalismo, ainda que muitos não saibam, é contra a Igreja. Porque a Igreja representa uma ordem imutável e clara. Junto com a Igreja vem o direito natural e a Revelação. Portanto, obrigações de fazer ou deixar de fazer, em público e em privado, fundadas não na razão humana, mas na ordem divina. Os liberais se opõem a tudo o que seja obrigação e não tenha origem na razão – dizem ser contrário à “liberdade”. O liberalismo, aliás, surgiu na época das “luzes”, no século XVIII, e fundamentou a Revolução Francesa e os regimes liberais do século XIX e início do XX, que perseguiram a Igreja por esses mesmos motivos. Portanto, é preciso tomar cuidado antes de aprovar políticas ou votar em partidos liberais, seja por questões morais ou econômicas, que não se podem separar.

Reforma política: o que a CNBB defende

Muito se tem dito sobre reforma política. Os sucessivos casos de corrupção eleitoral envolvendo os mais diversos partidos, da situação e da oposição, têm demonstrado como é importante aprimorar o sistema eleitoral brasileiro, especialmente no tocante ao financiamento de campanha. Como deixar nossa política mais justa, democrática e participativa?

CNBB
A CNBB promoveu o consenso de diversas entidades da sociedade civil em favor de uma reforma política democrática e de eleições limpas.

Em vistas disso, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e entidades da sociedade civil se reuniram para elaborar uma proposta consensual. Da parte da Igreja Católica, participaram também, por exemplo, o Conselho Nacional do Laicato do Brasil, a Comissão Brasileira de Justiça e Paz e as Pontifícias Obras Missionárias. Da sociedade civil, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE, que tomou para si a batalha pela Lei da Ficha Limpa), a Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e a União Nacional dos Estudantes (UNE). Estas últimas entidades e a CNBB formam a executiva da Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas. Como se vê, os principais agentes da luta pelos direitos humanos, pela democracia e em favor dos menos favorecidos na história recente do Brasil.

O resultado a que se chegou foi o possível, mas uma grande base para avançar mais no futuro. Nas palavras do arcebispo primaz do Brasil, dom Murilo Krieger:

Os pontos defendidos pelas entidades e grupos que assumiram essa proposta poderiam, naturalmente, ser diferentes, em maior número ou mais amplos. No entanto, a proposta final foi a síntese a que elas chegaram, depois de inúmeras reuniões e debates. Se tais pontos não resolvem todos os problemas que nos preocupam no momento atual, servirão, no entanto, para darmos um importante passo para um novo tempo. […] No futuro, outros passos poderão ser dados para o aperfeiçoamento de nossa Democracia. Não exagero ao afirmar que, nesse campo, a CNBB poderá oferecer uma preciosa contribuição, como a deu no tempo da Constituinte, com o texto “Por uma nova ordem constitucional”.

Para que não restem dúvidas, eis o resumo do que essa proposta nos apresenta para aprimorar o sistema eleitoral brasileiro e, como conseqüência, a nossa democracia:

  1. Financiamento das campanhas dos  candidatos: em vez do sistema atual, que envolve recursos públicos, de eleitores e de empresas, apenas recursos públicos e de eleitores (com limite máximo, para que doações de empresas não possam ser ocultadas por “laranjas”). Para o MCCE, “Empresa não é eleitor, ela não vota. Então, não tem porque ela participar das campanhas eleitorais, isso cria uma distorção no processo democrático e vai contra o conjunto da população” — essa mesma tese obteve maioria dos votos no Supremo Tribunal Federal, que está julgando a questão do financiamento empresarial.
  2. Eleição proporcional em dois turnos: um para se votar no programa de uma legenda, e outro para se votar em uma pessoa, de forma que o eleitor determine claramente quem será eleito. No sistema atual, o voto se dá em um candidato, mas ele é computado para a legenda, ocultando dessa forma as idéias que prevalecerão no parlamento.
  3. Aumento de candidaturas de mulheres para cargos eletivos, porque elas têm uma importante contribuição a dar na política, diferente e complementar àquela dada pelos homens. Homem e mulher são complementares, “auxiliares que se correspondem” (v. Gn 2,18).
  4. Regulamentação do Artigo 14 da Constituição, com o objetivo de se melhorar a participação do povo brasileiro nas decisões mais importantes, por meio de Projetos de Lei de iniciativa popular, de plebiscitos e de referendos, mesclando a democracia representativa com a democracia participativa. “Toda democracia deve ser participativa”, diz a Igreja Católica (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 190)

Na seqüência falarei detidamente sobre cada uma dessas propostas.