Liturgia em tempos de coronavírus (2): por uma espiritualidade litúrgica na quarentena

Longe de mim insinuar que é bom estar distante da comunhão real do corpo e do sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo – é comendo desse Pão e bebendo desse Cálice que somos salvos (v. Jo 6,47-58), ele é o alimento que nos conforma a Cristo, que nos torna “concorpóreos e consagüíneos com Cristo”, nas palavras de São Cirilo de Jerusalém (Quinta catequese mistagógica, 3). Porém, é preciso desenvolver uma espiritualidade também litúrgica para esses tempos de pandemia e de quarentena.

Sacerdote eleva o Cálice do Sangue de Cristo. Foto: Circe Denyer.

Os enfermos não estão separados do corpo de Cristo, mesmo quando não podem comparecer à celebração eucarística – e a comunhão fora da Missa torna mais perfeita a união mística. Quem já recebeu Jesus sacramentado quando estava enfermo sabe da felicidade de ver Jesus Cristo vindo ao seu encontro. Mas, mesmo os enfermos que não podem receber Jesus fisicamente continuam unidos à Igreja, que é o corpo de Cristo.

Hoje vivemos todos como esses enfermos impedidos de receber o sacramento do altar. Jesus Cristo, presente sob a aparência do pão e do vinho, a cabeça do nosso corpo, está separado de nós. E a separação de um membro provoca dor. Dessa maneira, convém unirmos a ele a nossa dor na separação. Contudo, não estamos totalmente separados da própria Eucaristia – que é ação de graças – e da vida eucarística – que vai muito além da presença na Missa:

O sacerdote ministerial, pelo poder sagrado de que goza, forma e rege o povo sacerdotal, realiza o sacrifício eucarístico na pessoa de Cristo e O oferece a Deus em nome de todo o povo. Os fiéis, no entanto, em virtude de seu sacerdócio régio, concorrem na oblação da Eucaristia e o exercem na recepção dos sacramentos, na oração e ação de graças, no testemunho de uma vida santa, na abnegação e na caridade ativa. (Constituição dogmática Lumen Gentium, n. 10)

Se não podemos exercer nosso sacerdócio régio na recepção dos sacramentos, então nos esforcemos “na oração e ação de graças, no testemunho de uma vida santa, na abnegação e na caridade ativa”.

Liturgia em tempos de coronavírus (1)

Foto de crucifixo.
Foto: João Martinho/Wikimedia.

Hoje foram suspensas as missas na capital federal. Para preservar vidas, é necessário isolar-se fisicamente, mas não espiritualmente. A liturgia (λειτουργια: serviço público) é serviço divino para o povo – Deus serve o povo na cruz. Deus se serve ao povo na cruz.

A liturgia de que participamos é essa, que nasce da cruz. Nossa cruz, hoje, além da ansiedade e da doença, é o isolamento – vivê-lo em santidade é também unir-se a Jesus Cristo crucificado.

Epifania do Senhor

Há pouco mais de dois mil anos, uma estrela brilhou no Oriente. Era Deus chamando os povos para conhecê-lo. Do planalto do Irã saíram alguns sábios para adorá-lo. Com ouro, incenso e mirra, nos indicaram nosso Rei, Deus e Salvador.

Que Ocidente e Oriente se encontrem para adorar o Senhor e realizar a paz!

Festa da dedicação da Basílica do Latrão

Basílica de São João do Latrão, em Roma. É a catedral da cidade e sede do papa. Foto: Martin Falbisoner via Wikimedia.

Hoje é dia de celebrar a mãe e cabeça de todas as igrejas, a catedral de Roma, a sede do papa! Trata-se da Basílica de São João do Latrão, dedicada a São João Evangelista e a São João Batista, onde fica a cátedra de São Pedro, e junto à qual se encontra a Escada Santa, que Jesus subiu para ser julgado, e que Santa Helena, mãe de Constantino, mandou transportar de Jerusalém para Roma.

DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DO LATRÃO
Festa
Segundo uma tradição que remonta ao século XII, celebra-se neste dia o aniversário da dedicação da basílica do Latrão, construída pelo imperador Constantino. Inicialmente foi uma festa exclusivamente da cidade de Roma; mais tarde, estendeu-se à Igreja de Rito romano, com o fim de honrar a basílica que é chamada “mãe e cabeça de todas as igrejas da Urbe e do Orbe e como sinal de amor e unidade para com a Cátedra de Pedro que, como escreveu Santo Inácio de Antioquia, “preside a assembleia universal da caridade”.

Hino

Do Pai eterno talhado,
Jesus, à terra baixado
tornou-se pedra angular;
na qual o povo escolhido
e o das nações convertido
vão afinal se encontrar.

Eis que a Deus é consagrada
para ser sua morada
triunfal Jerusalém,
onde em louvor ao Deus trino
sobem dos homens o hino,
os Aleluias e o Amém.

No vosso altar reluzente
permanecei Deus, presente,
sempre a escutar nossa voz;
acolhei todo pedido,
acalmai todo gemido
dos que recorrem a vós.

Sejamos nós pedras vivas,
umas das outras cativas,
que ninguém possa abalar;
com vossos santos um dia,
a exultar de alegria
no céu possamos reinar.

Leitura breve Is 56,7
Eu os conduzirei ao meu santo monte e os alegrarei em minha casa de oração; aceitarei com agrado em meu altar seus holocaustos e vítimas, pois minha casa será chamada casa de oração para todos os povos.

Preces

Como pedras vivas, edificadas sobre Cristo, pedra angular, peçamos cheios de fé a Deus Pai todo-poderoso em favor de sua amada Igreja; e digamos:
R. Esta é a casa de Deus e a porta do céu!
Pai do céu, que sois o agricultor da vinha que Cristo plantou na terra, purificai, guardai e fazei crescer a vossa Igreja,
– para que, sob o vosso olhar, ela se espalhe por toda a terra. R.

Pastor eterno, protegei e aumentai o vosso rebanho,
– para que todas as ovelhas se congreguem na unidade, sob um só pastor, Jesus Cristo, vosso Filho. R.

Semeador providente, semeai a palavra em vosso campo,
– para que dê frutos abundantes para a vida eterna. R.

Sábio construtor, santificai a Igreja, vossa casa e vossa família,
– para que ela apareça no mundo como cidade celeste, Jerusalém nova e Esposa sem mancha. R.

Oração

Ó Deus, que edificais o vosso templo eterno com pedras vivas e escolhidas, infundi na vossa Igreja o Espírito que lhe destes, para que o vosso povo cresça sempre mais construindo a Jerusalém celeste. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

(Trechos do ofício das Laudes)