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A Páscoa do discípulo

Embed from Getty Images A ressurreição é um chamado ao seguimento de Cristo. Na imagem, a representação de Jesus Cristo libertando da morte os bem-aventurados.

A celebração da Páscoa é mais do que simples lembrança: é mudança efetiva na vida do Cristão. Mortos com Cristo para o pecado, ressuscitamos e vivemos com Cristo para Deus (Rm 6). Nesse sentido, é muito interessante a mensagem pascal que recebi do meu pároco, frei Vicente de Paula, O.Carm. (Paróquia de N. S.ª do Carmo, Brasília), que por sua vez transmitiu o que recebeu de seu confrade Alan Fábio, O.Carm. (Paróquia N. S.ª da Conceição, Unaí, MG):

Reduzir o significado da Páscoa à barra de chocolate, jamais!
Páscoa de Jesus Cristo é toda sua vida de fidelidade ao projeto de Salvação, cujo cume é a sua Paixão Morte e ressurreição.
Páscoa é a certeza da continuidade da vida.

Páscoa é a consciência de que a missão de Jesus é agora a nossa missão.
Páscoa é o movimento contínuo de anúncio do Evangelho.
Páscoa e a promoção da justiça, do perdão, do amor e da misericórdia.
Páscoa é o serviço que não pode ser interrompido a favor do bem comum.
Enfim, não nos deixemos abater pelos sinais da cultura da morte, das dificuldades da vida que são tantas e diversas, mas nos alegremos na alegria do Senhor, que ressuscitou para nos trazer esperança e vida.
Feliz e abençoada Páscoa!

Fraternalmente, no Carmelo,

Frei Alan Fábio, O.Carm.

Unaí/MG, 27 de março de 2016.

No princípio era o Verbo…

Há grupos que não acreditam que Jesus Cristo, Verbo de Deus encarnado, seja Deus. No entanto, vejamos:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus. (Jo 1,1)

Ἐν ἀρχῇ ἦν ὁ λόγος, καὶ ὁ λόγος ἦν πρὸς τὸν θεόν, καὶ θεὸς ἦν ὁ λόγος. (κατα Ιωαννην 1,1)

No princípio: na origem. Sem complemento, significa “na origem de tudo”. Aliás, palavra grega (ἀρχή, arqué) muito semelhante à portuguesa. Em hebraico, רֵאשִׁית (bereshit), como em Gênesis 1,1: “No princípio, Deus criou o céu e a terra” – aliás, foi justamente a palavra arqué que os sábios judeus utilizaram para traduzir Gn 1,1 para o grego (Ἐν ἀρχῇ ἐποίησεν ὁ θεὸς…). Portanto, trata-se daquele princípio anterior à criação do céu e da terra, ou seja, antes de toda criação. Naquele princípio, “era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e Deus era o Verbo”.

Há grupos que negam a divindade de Jesus Cristo. Deus, o todo-poderoso, não teria o poder de tomar para si a natureza humana. Se Jesus não fosse Deus, onde estaria no princípio, quando ainda não existiam céu e terra? O Verbo não passou a existir com a criação, mas já existia, e estava com Deus, e era Deus.

Com efeito, Deus Pai “nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, diante de seus olhos” (Ef 1,4). “Ele existe antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem nele” (Cl 1,17), “nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as criaturas visíveis e as invisíveis. Tronos, dominações, principados, potestades: tudo foi criado por ele e para ele” (Cl 1,16). “Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito” (Jo 1,3). “Antes da criação do mundo” (πρὸ καταβολῆς κόσμου), “existe antes de todas as coisas” (αὐτός ἐστιν πρὸ πάντων), “todas as coisas subsistem nele” (τὰ πάντα ἐν αὐτῷ συνέστηκεν), “nele foram criadas todas as coisas” (ἐν αὐτῷ ἐκτίσθη τὰ πάντα), “tudo foi criado por ele e para ele” (τὰ πάντα δι’ αὐτοῦ καὶ εἰς αὐτὸν ἔκτισται), “tudo foi feito por ele” (πάντα δι’ αὐτοῦ ἐγένετο), “sem ele nada foi feito” (χωρὶς αὐτοῦ ἐγένετο οὐδὲ ἕν). Com efeito, Jesus Cristo é o “faça-se” (Gn 1) de Deus na criação do mundo (cf. Sb 9,1; Sl 33[32],6), é a enunciação do conhecimento de Deus Pai (Jo 1,1-18; Sb 7,25-27), por meio do qual ele cria tudo e faz tudo (v. Jo 1,3; Jo 5,19-30). Só Deus existe por si mesmo, e Jesus Cristo existe por si mesmo (cf. Jo 5,26). Ele existe antes de tudo, e só Deus existe antes de tudo.