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O Corpo e o Sangue de Jesus Cristo

Há muito o que pode e deve ser escrito sobre a celebração do Corpo e do Sangue de Cristo (Corpus Christi). Não vou, porém, me alongar. Digo apenas que foi o próprio Deus, na pessoa do Filho Unigênito, quem pronunciou as palavras: “Tomai e comei, isto é o meu corpo. […] Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados.” (Mt 26,26-28) E, com São Cirilo de Jerusalém: “Se ele em pessoa declarou e disse do pão: ‘Isto é o meu corpo’, quem se atreveria a duvidar doravante? E quando ele afirma categoricamente e diz: ‘Isto é o meu sangue’, quem duvidaria dizendo não ser seu sangue?” (Quarta catequese mistagógica sobre o Corpo e o Sangue de Cristo, 1)

Advento

Já chegamos à metade da primeira semana do advento. Novo tempo para a Igreja, que inicia mais um ano litúrgico, e que deve ser novo tempo para cada um de seus membros. Preparamo-nos agora para celebrar a primeira vinda de Jesus Cristo, o Filho de Deus, enquanto aguardamos que retorne em sua glória (Prefácio Eucarístico do Advento I). Espero que tenha ido à missa do domingo passado, primeiro desse novo tempo, e, se você não pôde ir, não tarde em procurar e beber da fonte da vida cristã, a liturgia, o serviço de Deus e dos homens, em especial a Sagrada Eucaristia (CEC, 1069-1070; SC, 7-10).

Se você foi à missa, ouviu a leitura do Evangelho, que diz: “Então, verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade. […] Velai sobre vós mesmos, para que os vossos corações não se tornem pesados com o excesso do comer, com a embriaguez e com as preocupações da vida; para que aquele dia não vos pegue de improviso. Como um laço cairá sobre aqueles que habitam a face de toda a terra. Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos esses males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem.” (Lc 21,27.34-36)

E como poderemos nos apresentar de pé diante de Cristo, quando retornar em sua glória? Sendo “imitadores de Deus, como filhos muito amados” (Ef 5,1) e membros de seu corpo, que é a Igreja. “Certamente, ninguém jamais aborreceu a sua própria carne; ao contrário, cada qual a alimenta e a trata, como Cristo faz à sua Igreja – porque somos membros de seu corpo.” (Ef 5,29s). São Cirilo de Jerusalém, falando sobre recebermos o corpo e o sangue de Cristo na eucaristia, disse que o fiel se torna, “tomando o corpo e o sangue de Cristo, concorpóreo e consangüíneo com Cristo. Assim nos tornamos portadores de Cristo (cristóforos), sendo nossos membros penetrados por seu corpo e sangue. Desse modo, como diz o bem-aventurado Pedro, ‘tornamo-nos partícipes da natureza divina’ [2Pd 1,4].” (S. Cirilo de Jerusalém, quarta catequese mistagógica, 3.)

Dessa maneira, somos conformados à imagem de Cristo, para o que fomos predestinados (Rm 8,29), e ouvimos as palavras do apóstolo:

Renunciai à vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido pelas concupiscências enganadoras. Renovai sem cessar o sentimento de vossa alma, e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade. [Ef 4,21-24]

“O Deus da paz vos conceda santidade perfeita. Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!” (1Ts 5,23)

Eucaristia, alimento de amor

Ontem, em sua homilia, o papa Bento XVI nos lembrou das duas dimensões do cuidado de Deus conosco. Para Deus, importa que sejamos plenos (“Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça”, testemunhava João Batista – Jo 1,16). Podemos dizer que essa graça é o cuidado do Senhor para que nada nos falte, como nas bodas de Caná, em que Jesus, a pedido de sua santíssima mãe, não deixou que faltasse o vinho da festa, e esse vinho foi o melhor (Jo 2,1-11). E a graça que está sobre essa outra é a graça maior, da nossa salvação, pois “de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3,16)

E o Verbo de Deus, que é Deus, se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,1.14). O “cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29) entre nós habitou para que, por nós levantado na cruz, tenhamos a vida eterna (Jo 3,14-15). Importava que o Filho de Deus fosse também Filho do Homem, para que, tendo nós sido por um homem condenados, por um homem fôssemos salvos (Rm 5). E esse homem não é ninguém menos que o Verbo de Deus, unido ao homem e a seu destino.

Sendo homem, não poderia se esquivar do cuidado com o homem – e é esse cuidado que vemos nas bodas de Caná (Jo 2,1-11) e na multiplicação dos pães (Jo 6,1-14). A Deus importa o bem-estar do homem, inclusive o bem-estar de seu corpo, pois o ser humano não é apenas espiritual. Foi da vontade de Deus que, sendo criaturas também materiais, cuidássemos de sua criação (Gn 1,26-30) e, sendo essa a vontade d’Ele, Ele mesmo cuida de nós para que nada nos falte, nem o material, nem o mais importante, o espiritual (Mt 6,25-34). É esse mesmo cuidado, nas medidas das nossas limitações, que devemos ter com o próximo (Mt 20,25-28). Precisamos carregar também a suave cruz de Cristo (Mt 11,28-30)!

Angelus: “Combater as desigualdades com as armas do amor”

2012-07-29 Rádio Vaticana
Castel Gandolfo (RV) – “Que jamais falte a ninguém o pão necessário para uma vida digna, e sejam abatidas as desigualdades não com as armas da violência, mas com a compartilha e o amor.”
A cena da multiplicação dos pães, extraída do Evangelho de João, serviu de inspiração a Bento XVI para falar da importância da Eucaristia, nosso alimento espiritual, a fiéis, peregrinos e visitantes reunidos no pátio interno da residência de Castel Gandolfo, onde o Papa se encontra neste período de verão europeu.
Comentando o Evangelho deste domingo, o Pontífice explicou que as ações realizadas por Jesus são paralelas às da Última Ceia: “Tomou os pães e, depois de dar graças, distribui-os aos presentes” (Jo 6,11). A insistência sobre o tema do “pão” que é distribuído e no agradecimento evocam a Eucaristia, o Sacrifício de Cristo para a salvação do mundo.
“A Eucaristia é o permanente grande encontro do homem com Deus, em que o Senhor se faz nosso alimento, dá Si mesmo para transformamo-nos Nele.”
Na cena da multiplicação, é sinalizada também a presença de um jovem, que, diante da dificuldade de saciar a fome de tanta gente, compartilha o pouco que tem.
“O milagre não se produz a partir do nada, mas de uma primeira modesta compartilha daquilo que um simples rapaz tinha consigo. Jesus não nos pede o que não temos, mas nos faz ver que, se cada um oferece o pouco que tem, o milagre pode novamente se realizar. Deus é capaz de multiplicar todo nosso pequeno gesto de amor e tornar-nos partícipes do seu dom”, explicou o Papa, acrescentando que Jesus não é um rei terreno que exercita o domínio, mas um rei que serve, que se curva sobre o homem para saciar não somente a fome material, mas sobretudo aquela mais profunda, a de Deus.
“Queridos irmãos e irmãs, peçamos ao Senhor que nos faça redescobrir a importância de nos nutrir do corpo de Cristo, participando fielmente e com grande consciência da Eucaristia, para estar sempre mais intimamente unidos a Ele. Ao mesmo tempo, rezemos para que jamais falte a ninguém o pão necessário para uma vida digna, e sejam abatidas as desigualdades não com as armas da violência, mas com a compartilha e o amor.”
(BF)