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As autoridades deste mundo

Ontem recebi uma mensagem de WhatsApp que afirmava que Bolsonaro foi “escolhido pelo Céu”. “Não terias poder nenhum sobre mim, se não te fosse dado do alto”, disse Jesus a Pôncio Pilatos (Jo 19,11b). Qual a relação entre as autoridades deste mundo e Deus?

Busto do imperador Domiciano exposto no Museu do Louvre. (Foto: I, Salko)

Escutai, reis e entendei!
Instruí-vos, juízes dos confins da terra!
Prestai atenção, vós que dominais a multidão
e vos orgulhais das multidões dos povos!
O domínio vos vem do Senhor
e o poder, do Altíssimo,
que examinará vossas obras,
perscrutará vossos desígnios.
Se, pois, sendo servos de seu reino,
não governastes retamente,
não observastes a lei
nem seguistes a vontade de Deus,
ele cairá sobre vós, terrível, repentino.
Um julgamento implacável se exerce
contra os altamente colocados.
Ao pequeno, por piedade, se perdoa,
mas os poderosos serão provados com rigor.
Pois o Senhor do universo a ninguém teme.
Não se deixa impressionar pela grandeza;
pequenos e grandes, foi ele quem os fez:
com todos se preocupa por igual,
mas aos poderosos reserva um julgamento severo.
A vós, portanto, soberanos, me dirijo,
para que aprendais a ser sábios e não pequeis;
santos serão os que santamente observam as coisas santas,
e aqueles que se deixam instruir encontrarão do que se justificar.
Ansiai, pois, por minhas palavras,
desejai-as e recebereis a instrução. (Sb 6,1-11)

É um julgamento severo, portanto, que espera os governantes. Quem, por herança ou eleição, por escolha do povo, dos pares ou de outra potestade, se achar digno de exercer autoridade sobre os demais homens e mulheres, este será julgado pelo que fizer, de acordo com a grandeza que escolheu – e o domínio com que Deus assentiu. Não importa se é Lula, Dilma, Temer ou Bolsonaro. Não importa se foi uma escolha justa ou injusta, livre ou manipulada. Não importa nem sequer se é um democrata ou um tirano. Devemos rezar com São Clemente de Roma, o terceiro papa após Pedro, que ainda quando o apóstolo São João era vivo, sob o jugo do tirano Domiciano escreveu:

Concede concórdia e paz
a nós e a todos os habitantes da terra,
assim como a destes aos nossos pais,
quando te invocaram santamente na fé e na verdade.
Torna-nos submissos ao teu nome onipotente e virtuosíssimo,
e aos nossos chefes
e aos que nos governam sobre a terra.

Tu, Senhor, lhes deste o poder da realeza,
pela tua força, magnífica e indizível
para que nós, conhecendo a glória e a honra que lhes foi dada,
obedecêssemos a eles,
sem nos opor à tua vontade.
Dá lhes, Senhor, a saúde,
a paz, a concórdia e a constância,
para que exerçam com segurança a soberania que lhes deste.
Tu, Senhor celeste, rei dos séculos,
concede aos filhos dos homens
glória, honra e poder sobre as coisas da terra.
Dirige, Senhor, as decisões deles,
conforme o que é bom e agradável a ti,
para que, exercendo com paz, mansidão e piedade,
o poder que lhes foi dado por ti,
possam alcançar de ti a misericórdia. (Aos coríntios, 60,4-61,2)

O jejum quaresmal

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Pouco compreendido, o jejum quaresmal é prática importante na Igreja. O Evangelho de hoje e a explicação dada no Missal cotidiano (da editora Paulus) ajudam a esclarecer:

Naquele tempo, os discípulos de João aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Por que razão nós e os fariseus praticamos jejuns, mas os teus discípulos não?” Disse-lhes Jesus: “Por acaso, os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejurarão”. (Mt 9,14s)

A explicação do Missal cotidiano:

O jejum, além de sinal do desejo de conversão, é também sinal de espera. O próprio Jesus, como os “discípulos de João”, jejuou no deserto, assumindo para si a longa espera do “esposo”. Chegado este, o jejum não tem mais sentido. Depois da ressurreição retomará seu significado, na medida em que o tempo da Igreja, entre o momento que lhe for tirado o esposo e o seu retorno, tem ainda uma dimensão de preparação e construção do reino. O jejum torna-se, então, expressão de tristeza pela separação do esposo e privação de sua presença física, meio para ter o coração livre de vaidades que o impedem de ser disponível aos apelos de Deus, participação nos sofrimentos dos irmãos, nos quais perdura o sofrimento de Cristo. Quando ele voltar, será então possível gozar plenamente dos bens criados. O jejum quaresmal tem, assim, essencialmente uma conotação eclesial: está ligado aos dias que a Igreja na terra dedica à espera e à preparação.

Embed from Getty Images O jejum, com a oração e a penitência, tem por objetivo nos preparar para o retorno de Jesus Cristo.
Por fim, a oração sobre as oferendas da missa de hoje:

Ó Deus, nós vos oferecemos o sacrifício da nossa observância quaresmal para que tenhamos maior domínio sobre nós mesmos e nossas vidas vos sejam agradáveis. Por Cristo, nosso Senhor.

Amém!