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Igreja peregrina

Faz tempo que não escrevo aqui, e não há tempo melhor para voltar – em plena Jornada Mundial da Juventude, da qual não posso participar pessoalmente, mas que tento acompanhar pela Rede Vida. Muito se fala sobre peregrinos nestes dias, incluindo o próprio papa Francisco, que se fez peregrino ao Rio de Janeiro e a Aparecida. Hoje (ainda) é dia de São Tiago, apóstolo, irmão de João. Nascido em Betsaida, foi o primeiro a governar a Igreja em Jerusalém e também o primeiro apóstolo a testemunhar a fé com a morte a mando de Herodes Agripa.

As laudes de hoje traziam a leitura da carta aos Efésios:

Já não sois mais estrangeiros nem migrantes, mas concidadãos dos santos. Sois da família de Deus. Vós fostes integrados no edifício que tem como fundamento os apóstolos e os profetas, e o próprio Jesus Cristo como pedra principal. É nele que toda a construção se ajusta e se eleva para formar um templo santo no Senhor. E vós também sois integrados nesta construção, para vos tornardes morada de Deus pelo Espírito. (Ef 2,19-22)

O que esse texto diz é simples: onde quer que estejamos, estamos em nossa terra, pois não somos mais do mundo (Jo 17,16), e sim “concidadãos dos santos”, isto é, cidadãos do Reino de Deus. Vivemos desde já essa realidade (Jo 17,13.20-24), de forma que contamos com o auxílio de nossos irmãos que já não estão nesse mundo, ao qual também nós não pertencemos, o qual deixaremos um dia para nos juntar plenamente à felicidade celeste.

Já não há migrante, já não há estrangeiro, já não há quem seja natural deste mundo, pois nossa natureza, renovada pelo Batismo (2Cor 5,17), é agora de partícipes da natureza divina (2Pd 1,4; v. Rm 6,2-14). A Igreja toda é peregrina e, onde quer que esteja – onde quer que esteja cada um de seus membros -, estará sempre no Reino de Deus, e jamais pertencerá a este mundo dominado pelas trevas (Ef 6,12). Somos do céu, ainda que estejamos hoje no mundo. Não nos contentamos com este mundo, mas somos testemunhas da realidade futura, que já vivemos com nossa cidadania celeste.

A Virgem Maria e a paz

Hoje, 1.º de janeiro, é dia de celebrar a Virgem Maria, Mãe de Deus, e é também Dia Mundial da Paz. Curiosos os caminhos da história que colocaram no mesmo dia a celebração daquela que é, pela maternidade, a Rainha da Paz, e a festa daqueles que querem um mundo de paz e de justiça.

Assim profetizou Miqueias, há milhares de anos:

Deus deixará seu povo ao abandono, até ao tempo em que uma mãe der à luz; e o resto de seus irmãos se voltará para os filhos de Israel. Ele não recuará, apascentará com a força do Senhor e com a majestade do nome do Senhor seu Deus; e ele será a paz. [Mq 5,2-3a.4a]

“O resto de seus irmãos se voltará para os filhos de Israel”, porque Jesus Cristo não veio fazer distinção entre Israel e Judá, mas veio buscar suas ovelhas no aprisco de todos os povos (Jo 10,16), e porque, recebendo d’Ele a filiação divina, “já não há judeu, nem grego”, mas somos um só em Cristo (Gl 3,28s). Como alguém, nessa situação, poderia buscar a guerra, a iniquidade, a discórdia?

Infelizmente, isso existe, pois nem todos reconhecem que Deus veio ao mundo para nos tornar seus filhos, e mesmo muitos que professam essa verdade com a boca, não o fazem com o espírito e com as obras. É por isso que a Igreja, mesmo na solenidade da Virgem Maria, Mãe de Deus, não esquece da buscar a paz, e, com sua doutrina social e o Conselho Pontifício “Justiça e Paz” (e as comissões episcopais), continua perseguindo uma sociedade que corresponda aos ensinamentos evangélicos.

Assim, nesse novo ano, desejo a todos os leitores que celebrem a maternidade divina de Maria, vivam conformes a Jesus Cristo – Caminho, Verdade e Vida – e busquem sempre a paz entre os irmãos. Amém!