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Imitando Cristo (5)

Livro I – Avisos úteis para a vida espiritual

Capítulo 5 – Da leitura das Sagradas Escrituras

1. Nas Sagradas Escrituras devemos buscar a verdade, não a eloqüência. Todo livro sagrado deve ser lido com o mesmo espírito que o ditou. Nas escrituras devemos antes buscar nosso proveito que a sutileza de linguagem. Tão grata nos deve ser a leitura dos livros simples e piedosos, como a dos sublimes e profundos. Não te mova a autoridade do escritor, se é ou não de grandes conhecimentos literários; ao contrário, lê com puro amor à verdade. Não procures saber quem o disse, mas considera o que se diz.

2. Os homens passam, mas a verdade do Senhor permanece eternamente (Sl 116[117],2). De vários modos nos fala Deus, sem acepção de pessoas. A nossa curiosidade nos embaraça, muitas vezes, na leitura das Escrituras; porque queremos compreender e discutir o que se devia passar singelamente. Se queres tirar proveito, lê com humildade, simplicidade e fé, sem cuidar jamais do renome de letrado. Pergunta de boa vontade e ouve calado as palavras dos santos; nem te desagradem as sentenças dos velhos, porque eles não falam sem razão.

Quantos teólogos caíram nessa armadilha! Quantos julgaram conhecer a verdade e semearam o erro! Isso vem já dos primeiros tempos da Igreja, quando os apóstolos tinham de exortar as comunidades a ouvir aqueles que Deus constituíra transmissores da palavra e não dar ouvido a falsos evangelhos (v.g. Gl 1,1-8). Se confiamos apenas na nossa própria razão, não somos capazes de compreender o anúncio de Deus, porque Deus é infinitamente maior que a nossa razão.

Quantas vezes Deus nos falou pelos iletrados (v. Mt 11,25; I Cor 1,26-28)! pois a Sabedoria de Deus é loucura para os homens (I Cor 1,18ss). No entanto, se queremos que nossa razão alcance Deus – o que é louvável -, então devemos nos deixar guiar pela fé. A teologia, na verdade, não é mais que a fé a procurar a compreensão do mistério divino – o mistério do Filho do Deus vivo (Mt 16,16), que se fez homem para que conheçamos o Pai e tenhamos a vida eterna (Jo 17,23).

A teologia é o intelecto que se deixa guiar pelo Espírito de Deus, para que o próprio Deus indique, pela fé, o caminho da verdadeira ciência. Para isso, no entanto, é necessária a humildade daquele que se deixa guiar, mesmo sabendo ver – porque ver não é apenas questão de ter olhos saudáveis. Vê bem aquele que compreende que, por trás das coisas que percebemos com os sentidos, há um sentido que se revela em Cristo – ele que é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14,6), pois é o único caminho que leva a conhecer o Pai (Mt 11,27), e conhecer Deus é a vida eterna (Jo 17,23).



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