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Da realidade da alma

Embed from Getty Images Há vezes em que o ser humano toca o intangível.

Há vezes em que o ser humano toca o intangível. Para alguns, isso seria impossível. “O pudim se prova comendo”, dizia Engels ao defender o cientificismo (em Do socialismo utópico ao socialismo científico). Queria dizer que apenas o que pode ser medido seria real. Fora do alcance da ciência moderna, nada existiria (como se a própria ciência não tivesse hipóteses que no momento de sua formulação não poderiam ser provadas…). Tomemos como exemplo a alma. Como provar sua existência, se não podemos medir o que por definição não tem tamanho e não está no tempo, nem no espaço? Não faz muito tempo, ouvi por acaso o depoimento de uma médica obstetra. Não era esse o assunto, nem o mencionei para ela, mas ficou na minha mente a necessidade de demonstrar às pessoas essa realidade.

Foto de embrião

Embrião humano com 9 semanas de gestação

Dr.ª J. trabalha numa maternidade afamada no Distrito Federal. Quando estava grávida, não poucas coincidências aconteceram. Todo plantão, precisava tratar de um abortamento da mesma idade gestacional dela. Estava de seis semanas, havia um abortamento com seis semanas de gestação. Estava de 14 semanas, um abortamento com 14 semanas de gestação. Coincidências terríveis, talvez com alguma explicação imaterial, mas que não tratam da alma. A última vez que isso aconteceu, porém, começou com um pesadelo.

Sonhou que ia ao plantão, atendia uma paciente já com mais de 20 semanas de gestação, fazia o toque e tocava logo a mão do feto morto. Sonho aterrador, que a acompanhou durante o dia. Foi ao plantão, e o trabalho se desenvolvia normalmente, até que chegou uma paciente com sangramento grave, usuária de DIU e grávida da mesma idade gestacional dela. Dr.ª J. fez o toque, tocou a mão do feto morto. Chorou junto com a paciente. “Sofri o dia todo por você”, disse.

Não há o que possa materialmente explicar o fenômeno. As coincidências de cada plantão podem ser coincidências. Mas, quando a médica sonhou um sonho tão marcante e detalhado, igual ao que lhe aconteceria aquele dia, como compreender? Não é razoável continuar dizendo: “coincidências”… O que perscrutou realidades muito além dos sentidos materiais? Diante de situações como essa, é forçoso reconhecer que a materialidade não explica tudo, que o ser humano vai além disso, e tem algo que não está preso ao espaço e ao tempo, ainda que o ser humano esteja no espaço e no tempo. Esse algo é a alma espiritual, de uma natureza diversa da do corpo, que nos confere essas características tão peculiares no mundo. É o que nos coloca acima dos meros animais. É o que nos permite sermos os sacerdotes da natureza, estabelecer a ligação entre a criação material e o que é espiritual. O ser humano é corpo. O ser humano também é alma.



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