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A Páscoa do discípulo

Embed from Getty Images A ressurreição é um chamado ao seguimento de Cristo. Na imagem, a representação de Jesus Cristo libertando da morte os bem-aventurados.

A celebração da Páscoa é mais do que simples lembrança: é mudança efetiva na vida do Cristão. Mortos com Cristo para o pecado, ressuscitamos e vivemos com Cristo para Deus (Rm 6). Nesse sentido, é muito interessante a mensagem pascal que recebi do meu pároco, frei Vicente de Paula, O.Carm. (Paróquia de N. S.ª do Carmo, Brasília), que por sua vez transmitiu o que recebeu de seu confrade Alan Fábio, O.Carm. (Paróquia N. S.ª da Conceição, Unaí, MG):

Reduzir o significado da Páscoa à barra de chocolate, jamais!
Páscoa de Jesus Cristo é toda sua vida de fidelidade ao projeto de Salvação, cujo cume é a sua Paixão Morte e ressurreição.
Páscoa é a certeza da continuidade da vida.

Páscoa é a consciência de que a missão de Jesus é agora a nossa missão.
Páscoa é o movimento contínuo de anúncio do Evangelho.
Páscoa e a promoção da justiça, do perdão, do amor e da misericórdia.
Páscoa é o serviço que não pode ser interrompido a favor do bem comum.
Enfim, não nos deixemos abater pelos sinais da cultura da morte, das dificuldades da vida que são tantas e diversas, mas nos alegremos na alegria do Senhor, que ressuscitou para nos trazer esperança e vida.
Feliz e abençoada Páscoa!

Fraternalmente, no Carmelo,

Frei Alan Fábio, O.Carm.

Unaí/MG, 27 de março de 2016.

Papa: não há Santo sem pecado, nem pecador sem futuro

Mais uma vez devo dizer que não é meu hábito publicar aqui textos de outras pessoas. Mas, certas vezes, alguns textos são importantes demais para ficarem sem divulgação — não digo mais ampla, mas ao menos como uma esperança pessoal de que cheguem a pessoas que não os conheceriam de outra maneira. É o caso do texto de hoje.

Ontem mesmo me peguei a pensar sobre a relação entre santidade e pecado. Hoje, o papa Francisco nos brindou com uma bela homilia sobre isso. Abordando a história de Davi — de pequeno pastor na menor entre as cidades de Judá, isto é, Belém — a rei de Israel, santo, mesmo tendo cometido muitos e graves pecados, o papa nos recorda o caminho cristão da santidade: “o caminho que o Senhor nos convidou a percorrer, não há nenhum Santo sem passado, tampouco um pecador sem futuro”.

Papa: não há Santo sem pecado, nem pecador sem futuro

2016-01-19 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Deus não fica nas aparências, mas vê o coração. Foi o que afirmou Francisco na missa matutina na Casa Santa Marta nesta terça-feira (19/01), centralizada na primeira Leitura, que narra a eleição do jovem Davi como rei de Israel. O Papa destacou que também na vida dos Santos há tentações e pecados, como demonstra a própria vida de Davi, mas jamais se pode usar Deus para vencer uma causa própria.

O Senhor vê o coração, não fica nas aparências

O Senhor rejeita Saul “porque tinha o coração fechado, não havia obedecido ao Senhor” e pensa, portanto, em escolher outro rei. Uma escolha distante dos critérios humanos, já que Davi era o menor dos filhos de Jessé, um rapaz. Mas o Senhor faz entender ao profeta Samuel que para ele não conta a aparência, “o Senhor vê o coração”:

“Nós somos tantas vezes escravos das aparências, escravos das coisas que aparecem e nos deixamos levar por essas coisas: ‘Mas isso parece …’ Mas o Senhor sabe a verdade. É assim esta história. Passam os sete filhos de Jessé e o Senhor não escolhe ninguém, os deixa passar. Samuel se encontra um pouco em dificuldade e diz ao Pai: ‘’A este tampouco o Senhor escolheu’?’ ‘’Estão aqui todos os teus filhos?’ ‘’Resta ainda o mais novo, que está apascentando as ovelhas’’. Aos olhos dos homens, este jovem não contava”.

Davi reconhece seu pecado e pede perdão

Não contava para os homens, mas o Senhor o escolhe e ordena a Samuel de ungi-lo, e o Espírito do Senhor “se apoderou de Davi”. E, a partir daquele dia, “toda a vida de Davi foi a vida de um homem ungido pelo Senhor, eleito pelo Senhor”. “Então – se pergunta Francisco – o Senhor o fez santo?” Não, é a sua resposta, “o Rei Davi é o santo Rei Davi, isso é verdade, mas Santo depois de uma longa vida”, mas também uma vida com pecados:

“Santo e pecador. Um homem que soube unir o Reino, soube levar adiante o povo de Israel. Mas tinha as suas tentações… tinha seus pecados: foi também um assassino. Para encobrir sua luxúria, o pecado de adultério, mandou… comandou que matassem. Ele! ‘Mas o santo Rei Davi matou?’ Mas quando Deus enviou o profeta Natã para que visse esta realidade, porque ele não tinha se dado conta da barbárie que havia ordenado, reconheceu: ‘pequei’. E ‘pediu perdão’”.

Assim, prosseguiu o Papa, “a sua vida seguiu adiante. Sofreu na carne a traição do filho, mas nunca usou Deus para vencer uma causa própria”. Assim, recordou que, quando Davi deve fugir de Jerusalém, devolve a Arca e declara que não usará o Senhor em sua defesa. E quando era insultado Davi, em seu coração, pensava: “eu mereço”.

Não existe Santo sem passado, tampouco um pecador sem futuro

Depois, destacou Francisco, “vem a magnanimidade”: poderia matar Saul “mas não o fez”. Eis o Santo rei Davi, grande pecador, mas arrependido. “Me comove – confessou o Papa – a vida deste homem”, que nos faz pensar em nossa vida.

“Todos fomos escolhidos pelo Senhor para o Batismo, para estar no seu povo, para ser Santos; fomos consagrados pelo Senhor neste caminho da santidade. Foi lendo esta vida, de um menino – aliás, não um menino, um rapaz – de um rapaz a um idoso, que fez tantas coisas boas e outras nem tanto, que me ocorre que no caminho cristão, no caminho que o Senhor nos convidou a percorrer, não há nenhum Santo sem passado, tampouco um pecador sem futuro”. (BF/RB)

O Advento de Jesus Cristo

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Estamos no tempo do Advento. Nele vivemos, é claro, a alegre expectativa do nascimento de Jesus Cristo. Mas, não só isso. Nele nos preparamos para a segunda vinda, gloriosa, de Jesus, que virá para julgar os vivos e os mortos. Não é à toa que a cor litúrgica é a roxa: a mesma cor da quaresma, a preparação para a morte e ressurreição do Cristo. Acompanhemos a Liturgia — nesse tempo, “as leituras do Evangelho têm uma característica própria: refere-se à vinda do Senhor no final dos tempos (primeiro domingo), a João Batista (segundo e terceiro domingos), aos acontecimentos que preparam de perto o nascimento do Senhor (quarto domingo).” (Introdução ao Lecionário, n.º 93)

No primeiro domingo:

Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos: Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. Os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas. Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima.

Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra. Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem. (Lc 21,25-28.34-36)

Do segundo domingo:

E ele percorreu toda a região do Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados, como está escrito no Livro das palavras do profeta Isaías: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados. E todas as pessoas verão a salvação de Deus”. (Lc 3,1-6)

Do terceiro domingo:

Por isso, João declarou a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo. Ele virá com a pá na mão: vai limpar sua eira e recolher o trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga.” (Lc 3,16s)

E, finalmente, do quarto domingo:

Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou:

“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?
Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu.” (Lc 1,39-45)

Como vemos, o Evangelho do primeiro domingo diz claramente que Jesus virá, e insta à conversão, à preparação para o momento em que ficaremos diante do Cristo Juiz: “ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem”.

Na proclamação do terceiro domingo, de forma semelhante, João Batista afirma: “Ele virá com a pá na mão: vai limpar sua eira e recolher o trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga.” Esse não é o momento da manjedoura, mas o momento da vinda gloriosa, o momento do julgamento. É preciso ser dócil ao ensinamento divino e buscar a conversão, pois “Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo“, isto é, seremos mergulhados no Espírito Santo (pelo batismo sacramental) e também no fogo da provação, para nos purificarmos. E, no segundo domingo, vemos que São João Batista pregava a conversão do coração, lembrando as palavras do profeta Isaías: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados. E todas as pessoas verão a salvação de Deus” — devemos preparar o nosso coração para a chegada do Cristo Salvador.

No quarto domingo, enfim, temos o momento da expectativa pela chegada iminente do Menino-Deus, quando São João Batista pula dentro do ventre de Santa Isabel à chegada do Messias e de sua mãe, a Virgem Maria. No Evangelho lemos então um dizer importante nas palavras da prima de Nossa Senhora: “Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. Claro que isso valia imediatamente para a Mãe de Deus. Mas, vale também para nós, agora: se acreditarmos e nos mantivermos firmes na fé, no que já aconteceu quando Jesus Cristo estava neste mundo, no que acontece hoje na Igreja, e na promessa do Céu, então isso tudo será cumprido e veremos em plenitude a glória de Deus.

Assim seja!

Domingo de Ramos: fé na vitória, perseverança mesmo nos sofrimentos

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Hoje iniciamos a semana santa. Na meditação do mistério da paixão e morte do Filho de Deus podemos encontrar o exemplo e a força daquele que sofre por ser justo e fiel. Daquele que é odiado por fazer a vontade do Pai celeste. Em um mundo em que tantas forças se misturam para fazer o mal, seja na Ásia, na África, e até mesmo no Brasil, onde o ódio vem se infiltrando na política, coloquemos em Jesus Cristo nossa esperança, para que, morrendo com ele para o mundo, ressuscitemos com ele para a vida eterna! Amém.

Lembremo-nos de Jesus Cristo, que disse “Eu vim para servir” (Mc 10,45), enquanto refletimos sobre trechos da oração do meio-dia no Domingo de Ramos:

Oração do meio-dia no Domingo de Ramos (trechos)

Hino:

Todo o mundo fiel rejubile
na alegria de tal salvação:
destruindo a potência da morte,
Jesus Cristo nos traz redenção

De oliveira com ramos e palmas,
todo o povo, com voz triunfal,
canta hosanas ao Rei de Israel,
de Davi descendente real.

Nós também, acorrendo ao encontro
de tal Rei, com hosanas de glória,
seguremos na mão nossas palmas
de alegria e de fé na vitória.

Por seus dons, nos caminhos da vida,
nos conduza e defenda o Senhor.E possamos, em todos os tempos,
tributar-lhe o devido louvor.

Glória ao Pai e a Jesus, Filho único,
Deus de Deus, Luz da Luz, Sumo Bem,
com o Espírito, o Amor que consola,
pelos séculos dos séculos. Amém.

Leitura breve:

Alegrai-vos por participar dos sofrimentos de Cristo, para que possais também exultar de alegria na revelação da sua glória. Se sofreis injúrias por causa do nome de Cristo, sois felizes, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus repousa sobre vós. (1Pd 4,13s)

Oração:

Deus eterno e todo-poderoso, para dar aos seres humanos um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento de sua Paixão e ressuscitar com ele em sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

O jejum quaresmal

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Pouco compreendido, o jejum quaresmal é prática importante na Igreja. O Evangelho de hoje e a explicação dada no Missal cotidiano (da editora Paulus) ajudam a esclarecer:

Naquele tempo, os discípulos de João aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Por que razão nós e os fariseus praticamos jejuns, mas os teus discípulos não?” Disse-lhes Jesus: “Por acaso, os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejurarão”. (Mt 9,14s)

A explicação do Missal cotidiano:

O jejum, além de sinal do desejo de conversão, é também sinal de espera. O próprio Jesus, como os “discípulos de João”, jejuou no deserto, assumindo para si a longa espera do “esposo”. Chegado este, o jejum não tem mais sentido. Depois da ressurreição retomará seu significado, na medida em que o tempo da Igreja, entre o momento que lhe for tirado o esposo e o seu retorno, tem ainda uma dimensão de preparação e construção do reino. O jejum torna-se, então, expressão de tristeza pela separação do esposo e privação de sua presença física, meio para ter o coração livre de vaidades que o impedem de ser disponível aos apelos de Deus, participação nos sofrimentos dos irmãos, nos quais perdura o sofrimento de Cristo. Quando ele voltar, será então possível gozar plenamente dos bens criados. O jejum quaresmal tem, assim, essencialmente uma conotação eclesial: está ligado aos dias que a Igreja na terra dedica à espera e à preparação.

Embed from Getty Images O jejum, com a oração e a penitência, tem por objetivo nos preparar para o retorno de Jesus Cristo.
Por fim, a oração sobre as oferendas da missa de hoje:

Ó Deus, nós vos oferecemos o sacrifício da nossa observância quaresmal para que tenhamos maior domínio sobre nós mesmos e nossas vidas vos sejam agradáveis. Por Cristo, nosso Senhor.

Amém!